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BREVE HISTÓRIA DE UM POBRE MENINO NAS RUAS DA CIDADE

Certa noite, tive uma experiência que, agora, repentinamente, enquanto estudava o significado da palavra semiose, os meios que uma pessoa usa para se expressar, saltou lá das profundezas da memória essa lembrança.

Andava distraído, atitude perigosa nos dias correntes, pelas ruas, próximas à residência da minha sogra. De súbito, cruzo com um menino maltrapilho e solitário. Teria uns oito ou dez anos.

Aos poucos observo que ele passa a caminhar atrás de mim, sem dizer nenhuma palavra. No início, não dei importância. Mas, em seguida percebi, que ele me seguia determinado. Virei por uma rua, olhei para trás e lá estava o menino que parecia ter aparecido do nada.

Prossegui caminhando e nada de o menino deixar de me seguir. Sem entender, comecei a sentir um certo desconforto. Que estranho!

Decidi ir para a casa da minha sogra e o menino atrás de mim. Juro que fiquei sem saber o que fazer.

Entre no quintal, fechei o portão e entrei. Comentei com minha mulher o ocorrido, imaginando que fora apenas um episódio como tantos que acontecem.

Mas, quando fui à janela da sala, lá estava o menino andrajoso. Minha sogra foi até ele, perguntou o que ele queria, mas não obteve resposta. Será que o menino era mudo?

Como muitas pessoas passam por ali, pede um pão, prato de comida, minha sogra resolveu reunir umas roupas e alguns alimentos e entregar para o garoto, que aceitou sem nada dizer. Permaneceu mais um tempo em frente ao portão, até que decidiu ir embora.

Ao chegar a uma esquina, dobrou à esquerda e desapareceu.

Aguardei por alguns momentos, ainda aturdido pelo fato e curioso, saí à rua e virei na mesma esquina. Ufa! O menino tinha realmente ido embora. Lembrei-me de que ao me aproximar dele, quando minha sogra lhe entregava roupas e alimentos, ele cheirava mal!

Ao olhar a rua vi um amontoado de coisas jogadas no asfalto. Fui até lá. Tudo que o menino recebera estava jogado no chão, até mesmo a comida.

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Como semiose significa o que a pessoa usa para se expressar, tento descobrir o que aquele menino queria dizer com sua insólita maneira de agir. Tentei imaginar de onde teria vindo, onde morava e com quem morava, até mesmo se era um morador de rua, pois nossa sociedade tem sido cada vez mais desagregadora.

Estava procurando um contato humano? Queria chamar a atenção para sua existência? Estaria perdido no mundo, em busca de um sentido? Quantas crianças estarão vivendo em condições similares às dele? Talvez estivesse buscando sua própria história? Ou querendo um gesto de atenção, de amor e de carinho?

Leitor resolvi compartilhar esse fato real com você, que afortunadamente tem uma família que comemora seu aniversário e canta parabéns pra você, talvez possa me ajudar a compreender o acontecido. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

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