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“HOJE, O CÉU DE IBIÚNA ESTAVA CHEIO DE ANJOS”, DISSE O HOMEM DO CAJADO SAGRADO

Estava sentado à sobra de uma árvore no quintal de casa, respirando ar puro e olhando para o nada. Meus pensamentos vagavam como um barquinho no infinito oceano da imaginação.

De repente, atrás de mim, ouvi um estalar de gravetos e um farfalhar das folhas na copa da árvore que me despertaram do transe meditativo tranquilo como o olhar da primavera.

Eis que surge vindo do interior da mata o Homem do Cajado Sagrado com um semblante carregado, parecia trazer uma angústia dentro de si.

— Bom-dia, Carlos!, saudou-me com gentil tonalidade na voz.

— Bom-dia, Homem do Cajado Sagrado, que alegria vê-lo de novo!

Sentou-se ao meu lado com as pernas cruzadas e a coluna reta, mesmo sendo um ancião. Tinha uma história para me contar, sabedor do meu prazer em ouvi-lo. Afinal, nos tornamos amigos e mantemos uma relação de sólida confiança mútua.

— E ai, meu velho! O que me conta?

— Bem, como você sabe, vivo perambulando pelas ruas e estradas, porque gosto de apreciar com amor esse povo!

— Dei uma passada pelo hospital, pela rodoviária – eita gente sofrida!, fui visitar os idosos da Casa de Santa Rita, a delegacia para aonde vão as pessoas sempre com algum tipo de problema, alguns muito graves, o Alto da Figueira para apreciar a cidade de cima, fui orar na Igreja de Nossa Senhora das Dores e pedir sua proteção para esse povo admirável, paciente e sofrido, que a tem como padroeira.

— E o que viste, meu bom velho?

— Vi pessoas em risos, em choros silenciosos e profundos, vivendo seus amores, bebendo, em conversas com diferentes coloridos, alguns sombrios, vi também muitas queimadas e a fuligem se espalhando. Entristeci-me. Mas, como jamais perco minha fé nas pessoas e em suas vidas, deixei-me embalar pelos ares que trarão de volta a primavera este mês.

— Sobrevoei a represa Itupararanga, que mesmo em suas aflições íntimas provocadas pela sujeira trazida pelos rios, refletia, como um espelho gigantesco, o brilho dourado do Sol.

— Que imagem linda, meu velho!

— Em seguida, encontrei uma prainha solitária e ali me acomodei. Deitei-me para olhar o céu e, por isso, resolvi vir ao seu encontro.

— Vi uma profusão de anjos e arcanjos tocando músicas celestiais com suas harpas e trombetas, que jamais ouvira antes. Consegui ver, entre as nuvens, os rostos e as asas alvíssimas de alguns desses entes mensageiros de Deus, conforme relatos bíblicos na tradição judaico-cristã.

— Senti-me encantado de tanta beleza!

— Um deles me lançou um raio de luz em cuja ponta havia um bilhete numa folha de ouro.

“Olhe, estamos atentos a tudo o que acontece nessa cidade e estamos apenas aguardando que os homens daí despertem antes que seja demasiadamente tarde. Diga ao povo que estamos ao seu lado, que confie, que nada neste mundo é para sempre.”

— Nossa, que incrível!

— Milagres existem, sim, e são frutos dos prodígios da fé – confidenciou-me o Homem do Cajado Sagrado – e eles vão ocorrer, é só uma questão de tempo.

— Um dos arcanjos disse que a vida é Sagrada, tem suas próprias leis divinas, muito além da sabedoria inalcançável pelos homens, cegos e obcecados pelo voraz e louco desejo de adquirir bens materiais, esquecendo sua dimensão espiritual.

— Viver tem um significado infinitamente maior do que as picuinhas triviais e egoísmos, frutos da falta de sensibilidade, da ignorância e de amor ao próximo.

Dito isto, o Homem do Cajado Sagrado, despediu-se dando-me um reconfortante abraço. Ele pediu que todos meditassem sobre suas palavras, que aqui estão escritas. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

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