LEITURA DE SÁBADO – PAIXÕES DOMINANTES

Você sabia que tem paixões dominantes e que elas são hábitos que se repetem em seu comportamento, mesmo que você não perceba?

Trata-se de atitudes que repetimos com frequência e que determinam nossa trajetória de vida, algumas delas são positivas, outras, nem tanto.

Elas foram construídas no correr tempo, desde nosso nascimento, num processo de aprendizagem do que vimos ou experimentamos nos ambientes familiares, escolares e sociais e se tornaram padrões, a partir do modo como percebemos o mundo e a nós mesmos.

Veja alguns exemplos: comer, beber, fumar, brigar, amar, desejar, fazer compras, correr, jogar, falar mal dos outros, adoecer, uso do celular, entre tantas outras. Umas surgem devido a insatisfações, ansiedades e buscas que fazemos com algum objetivo, como obter emprego ou bens materiais.

As paixões dominantes nem sempre são vícios ou algo nocivo, mas hábitos criados pelos indivíduos para lidarem com o mundo.

Há pessoas que parecem programadas para mudar repetidamente de emprego, assim como há empreendedores que vão à falência de tempos em tempos. Nestes casos, parece haver gatilhos e armadilhas contidas na própria história dos sujeitos, supostamente fora de sua percepção de que pode mudá-las ou substituí-las, ainda que haja possibilidades reais de modificar esses hábitos.

Como se trata de um fenômenos importantes para as pessoas, muitas paixões não podem ser removidas de modo brusco e repentino, porque isso pode provocar reações negativas na estrutura de pensamento e causar danos imprevisíveis.

Este parece ser o caso de lidar com alcoólatras, por exemplo, razão por que se utiliza um procedimento gradativo e não uma supressão súbita da bebida, o que poderia causar um problema ainda maior, provocado pelo sintoma da abstinência imediata.

As paixões dominantes podem tanto ser quebradas quanto substituídas por outras em vários processos terapêuticos específicos para os modos singulares de cada pessoa e não por meio de receitas universais. Cada indivíduo é único e é assim que precisa ser visto e cuidado. O que é produtivo para um, não é necessariamente adequado para outro.

Por que há relacionamentos que começam inspirados em paixões e que, com o passar dos dias, se endereçam para conflitos e, não raro, em separações ásperas e que produzem sentimentos de mútua agressividade e rancor?

As maneiras de ver os outros e si mesmos e de se relacionar são específicas e nem poderia ser diferente, já que temos caracteres únicos e essa condição é que nos torna muitas vezes vulneráveis quando nos encontramos em situações difíceis, para nós e para os outros, com os quais convivemos por breves momentos ou por um longo período.

A boa notícia é que, ao saber desse fenômeno, você pode fazer descobertas sobre si mesmo e procurar adquirir novos e melhores hábitos e se libertar de muitos sofrimentos em sua jornada existencial. Sempre que se sentir que algo está errado, dolorido em sua alma, procure ajuda especializada e saiba que você não está sozinho.

Afinal, como profetizou a poeta Cora Coralina, “quando a situação está ruim, o bom sempre está por perto”. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

 

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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