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OPINIÃO – IBIUNENSES PODEM MUDAR OS HÁBITOS DA SUA TRADIÇÃO POLÍTICA PELO PODER DO VOTO CONSCIENTE

Daqui a onze meses, e o tempo flui cada vez mais rápido, haverá eleição para prefeito, vice-prefeito e vereadores. Na tradição política do município, os ibiunenses se habituaram com práticas políticas insatisfatórias. Mas, no dia 5 de outubro de 2020 poderão mudar essa realidade com um poder chamado voto livre e consciente.

A situação, no entanto, não é tão simples assim, na verdade está envolta numa complexa malha de acontecimentos. Primeiro, é preciso ter bons candidatos, pessoas competentes, honestas e dispostas a trabalhar efetivamente em favor de sua sofrida população. Mais: é indispensável que estejam preparadas para cumprir corretamente suas funções tanto no Poder Executivo quanto no Legislativo.

O que se observa atualmente é a tendência na repetição de vícios políticos compostos pelas relações entre o Executivo, que deve, como o nome diz, executar obras e prestar serviços adequados em todas as esferas de sua competência: saúde, estradas, coleta de lixo, segurança pública, educação, meio ambiente, etc., e os vereadores, cujo principal papel é fiscalizar a conduta e as ações do governo municipal.

Não é novidade para ninguém que o prefeito depende do respaldo dos edis para conseguir aprovar seus projetos, o que significa que tem que garantir uma bancada majoritária para obter os apoios indispensáveis dos parlamentares.

O que habitualmente faz um prefeito para obter a fidelidade da maioria dos parlamentares? Num termo que podemos adjetivar como elegante proporciona “carinho”, atende aos pedidos e articula o esquema de reciprocidade. Nenhum político age por amor ou simpatia, mas por interesses, sejam estes para atender ao seu “curral eleitoral” e garantir sua eleição.

Nesse contexto, se incluem empregar pessoas indicadas pelos vereadores, realizar melhorias em certos locais, dar atenção especial a determinados pedidos, projetos ou requerimentos promovendo prestígio político aos seus aliados, fenômeno que na política tradicional brasileira chama-se “moeda de troca”.

Obviamente, esse procedimento se concretiza no dia a dia em reuniões e encontros isolados, distantes dos olhos e ouvidos da população e também da imprensa. É quando os acertos e conchavos são combinados.

Também faz parte da complexidade a visão cultural fragmentada da realidade por candidatos, tanto ao cargo do Executivo quanto do Legislativo. Em que medida estão preparados para exercer essa relevante função para efetivamente gerar benefícios reais para a população? Que entendimento têm da política? O que de fato pretendem com suas candidaturas? O que entendem do poder exercido em nome do povo? Como são suas estruturas de pensamento para garantir que tomarão as atitudes que devem tomar com independência, autonomia e transparência? Quais são suas capacidades expressivas, linguagem, construção de ideias e criatividade, cada vez mais exigida para enfrentar os problemas da modernidade? Por último, mas não menos importante, quais são seus enraizamentos éticos e morais?

Não se trata, no entanto, que todos tenham passado por um processo acadêmico nem se devem deles exigir erudição, mas que entendam as responsabilidades que lhes competem em tratar de assuntos do mais alto interesse público.

É cedo ainda para se fazer uma análise consistente do possível quadro de candidatos. Três já se lançaram em reuniões festivas a pré-candidatos ao cargo de prefeito, vereadores, pelo que aparenta, serão centenas. Quantos deles serão merecedores da esperança e da confiança popular?

O que é presumivelmente certo é que haverá eleição e o maior sonho da população ibiunense é que haja uma renovação completa em todos os quadros, o que implica a eleição de novos personagens políticos.

No entanto, a população não terá garantia alguma de que, uma vez consagrados nas urnas, os eleitos cumprirão as promessas eleitorais, porque terão que passar pelo teste de que o poder que lhes foi conferido não subirá em suas cabeças e os fará repetir a mesma ladainha de sempre de virar as costas para o povo. E é aí que mora o perigo dos fenômenos complexos da natureza humana.

Para evitar a repetição da história de sempre, é preciso pensar com clareza a realidade e, sobretudo, que percebam as leis frequentemente ocultas que nos governam. Todos fazemos parte do mesmo tecido dos acontecimentos. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

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