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CORONAVÍRUS – PANDEMIA ESCANCARA EPIDEMIA DO MEDO E DA AGRESSIVIDADE SOCIAL

Acordei nesta madrugada (21) e percebi uma chuva mansa e serena como uma sinfonia relaxante. Havia acabado de saber que, numa estrada de terra na zona rural de Ibiúna, o músico, cantor e empresário Nenê Tonan, pessoa muito conhecida na cidade, havia sido morto à noite, supostamente atropelado intencionalmente por um motorista de caminhão-baú. Esse fato teria ocorrido depois de uma discussão de trânsito, em uma cena terrível captada por uma câmera de segurança. O suspeito pelo crime já teria sido identificado, segundo postagem fotográfica feita pelo irmão da vítima. Nenê era proprietário da casa de shows Estação 60, que funcionava na Rodovia Bunjiro Nakao. Fato absurdo!

Em São Paulo, indivíduos vestidos de branco, entre os quais se encontram médicos, enfermeiras e auxiliares de enfermagem, estão sendo alvo de agressões por parte de populares, que os elegeram como alvo de suas fúrias pelo temor de contraírem o Covid-19 em trens, metrô, ônibus e nas ruas. Um hospital autorizou seus funcionários a não virem vestidos de branco, a fim de evitar as agressões. Uma enfermeira quase foi atingida por uma marmita que alguém lançou contra ela de uma plataforma do metrô.

Em Ibiúna, começou a surgir uma espécie de virulência contra paulistanos que são proprietários de chácaras no município e que estariam se refugiando com seus familiares para se protegerem da contaminação do vírus na Capital onde houve o maior número de óbitos pela doença em todo o Brasil até agora. Alguns munícipes chegaram a propor ao prefeito que feche as estradas de acesso ao município desses “forasteiros”, que são cidadãos e pagam impostos à Prefeitura, medida que está fora de seu alcance e que depende de decisão do governo estadual, segundo apuramos.

Nos supermercados, segundo notícia que publicamos, se verifica outra epidemia que parece lembrar nossa ancestralidade bárbara que saia à caça para assegurar sua sobrevivência: os comportamentos de compras revelam uma irracionalidade primitiva, egoísta e insensata. Parece que perdemos a razão mínima relativa ao nível de civilização que deveríamos ter atingido. A voracidade dos ataques às gôndolas parece evocar uma sensação oculta de fim de mundo que cria mais problemas aos já existentes e em curso.

As autoridades de todos os escalões, com honrosas exceções, não se comportam à altura do status que ocupam e demonstram palmar incompetência para se comportarem com dignidade, propriedade e credibilidade. Nesse contexto, vivemos uma epidemia ética e moral assustadora por falta de equilíbrio mental que se requer de um líder capaz de estabelecer um clima de confiança, respeito e solidariedade humana.

É natural que nos sintamos inseguros, ameaçados e frágeis, como se ainda vivêssemos na pré-história em que era absolutamente indispensável oscilar, movidos pelo medo, entre duas opções: atacar ou fugir. E são estas duas funções que estão no epicentro dessa epidemia no cenário da pandemia do novo coronavírus.

A orientação mor das autoridades médicas de todo o mundo é: fique em suas casas, lavem as mãos diversas vezes por dia, cuidem da higiene, evite abraços, beijos, aproximação menor do que um metro do outro; se sentirem febre, falta de ar, procure imediatamente o serviço de atendimento médico mais próximo. Evitem contaminar e serem contaminados. Fiquem em suas cavernas e evitem os perigos de viver em bandos.

A pandemia de fato é grave, o risco de contaminação é real e, em nosso caso, deverá se ampliar com maior intensidade nas próximas semanas, advertem as autoridades médicas. É natural ter medo e buscar proteção, mas não perder a nossa humanidade, nosso respeito ao próximo. A hora é de usar a razão, o amor, a fraternidade e não de loucura desenfreada que é igualmente contagiosa e pode nos fazer, como aparentemente está ocorrendo, uma volta ao estágio da barbárie que se encontra em nossa memória antropológica e animalesca. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

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