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O ‘FEIJÃO DA CURA’, A CLOROQUINA E O CORONAVÍRUS

A imposição messiânica do uso da cloroquina para a cura da  Covid-19, cuja eficácia não se sustenta, pelo menos até o momento. em bases científicas, e com efeitos colaterais graves, podendo levar a óbitos, derrubou dois ministros da Saúde do Brasil em menos de trinta dias.

Nessa circunstância, que médicos, fiéis ao juramento hipocrático, atenderiam a um novo protocolo “baixado” pelo Governo Federal e passariam a prescrever o uso dessa substância nos casos iniciais da doença?

Os especialistas em infectologia e os médicos de outras especialidades vêm insistindo à exaustão que a melhor forma de combater o vírus nesse estágio é o distanciamento e isolamento social e hábitos de higiene como lavar corretamente as mãos com sabão, uso de álcool em gel para desinfecção e de máscaras faciais.

O ditado presidencial do “E daí?”, vão morrer muitos, o que ele pode fazer? Poderia, em vez da obsessão do relaxamento social e volta ao trabalho, estimular um plano de ações efetivas conjugado com os governadores e prefeitos de todo o Brasil, de modo harmonioso, não da forma como está ocorrendo em que os procedimentos do seu governo criam antagonismos de uma teimosia doentia cada vez mais intransponíveis.

Os dados de ontem, sexta-feira (15), mostram que as contaminações no Brasil já ultrapassaram 220 mil casos, com 14.962 óbitos e que o crescimento da enfermidade não dá sinais de queda e que vem afetando mais as pequenas cidades do interior.

No meio dessa pandemia terrível, o pastor Valdomiro Santiago, líder da Igreja Mundial, aparece nas redes sociais oferecendo uma semente de feijão para cura da Covid-19 a preços que variam de R$ 100 a R$ 1.000. Um comentarista da Globo News mencionou esse fato e o comparou com o uso da cloroquina, com uma dose de ironia: “Pelo menos o feijão não deve causar nos pacientes efeitos tão danosos quanto a cloroquina”.

De qualquer modo, o Ministério Público Federal de São Paulo determinou ao Google que retirasse o vídeo do ar [o que já aconteceu], mas ressalvando que ele deve ser mantido armazenado para eventuais ações judiciais que venham a ser tomadas.

Toda e qualquer semelhança entre a ação do pastor e a postura do presidente Jair Bolsonaro, conforme se vêm na foto aqui reproduzida, terá sido mera coincidência, como se lê nas produções cinematográficas e novelísticas, para separar a realidade concreta do mundo da fantasia. Talvez os brasileiros dotados de bom senso estejam sofrendo desse sintoma que vem povoando seus sonhos com pesadelos provocados por temores e incertezas causados pela pandemia. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

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