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COVID-19 – AUTORIDADES ENFIAM A CABEÇA DOS BRASILEIROS EM UM LIQUIDIFICADOR

Autoridade é sinônimo de poder. Poder de ordenar, de decidir, de atuar, de se fazer obedecer, por ser portador desse direito atribuído aos governantes pela população num regime democrático. Se incluem nessa rubrica o presidente da República, os governadores e os prefeitos.

As autoridades, em contrapartida, têm deveres estabelecidos pelas leis nesses três níveis executivos.

Um dos deveres é garantir o direito à vida, oferecer proteção, assistência sempre que isso for necessário, como é o caso de uma pandemia, que nos afeta e se expande de modo virulento. No Brasil, já se registram 192 mil casos de infectados, 78.424 recuperados e 13.276 óbitos, mas, certamente esses números continuam crescendo a cada dia de modo assustador.

A postura do presidente da República é qualquer coisa de causar espanto devido às suas notórias obsessões em torno da quebra do distanciamento e do isolamento social, para salvaguardar os cânones da economia liberal, contrariando as orientações de especialistas do mundo todo, incluindo a Organização Mundial de Saúde.

“Esqueçam o Mandetta”, grita Bolsonaro! De seu lado, o ex-ministro Mandetta alerta: “O surto está apenas começando”, com exceção de Manaus, que já teria atingindo o pico do crescimento das infecções.

Os conflitos envolvendo o chefe da Nação e governadores retratam uma dissintonia gritante em face à agressividade do vírus que clama por um entendimento urgente com atitudes de sinergia no combate à doença. Pelo andamento da carruagem, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, que vem acumulando nos últimos dias evidentes humilhações do seu chefe planaltino, já caminha num terreno minado cujo principal efeito será a sua despersonalização pública.

Mesmo um ministro alinhado para cumprir sua missão precisa de um mínimo de respeito e consideração para ser levado a sério. Atropelado por medidas para as quais nem mesmo é consultado ou informado o coloca numa condição de extrema fragilidade e descrédito público.

Teich não conseguiu nem mesmo um plano de combate ao coronavírus dos governadores para desenvolver um plano amplo que pudesse harmonizar as ações em todo o território nacional com ações sinérgicas.

Sua lentidão e dependência das circunstâncias formais que o rodeiam podem comprometer sua permanência no cargo num prazo não muito distante porque a máquina estatal é devoradora e impiedosa em tempos de ardores patrióticos excessivos como se verifica sob a bandeira nacional.

Enfim, quem paga a conta da dissintonia entre autoridades, com dor, sofrimento e morte, são os brasileiros, sobretudo os mais desvalidos e pobres. São as famílias enlutadas com a perda dos seus entes queridos, em que pese o enorme esforço dos profissionais da saúde, heróis mesmo, sujeitos a esses mesmos males, muitas vezes sem a devida proteção de seus corpos. Não se trata de aceitar o imperativo presidencial: “E daí?” Daí que o Brasil vive um dos momentos mais graves de sua história desde Cabral. Não bastasse isso, obedecendo a malvadez do por que melhorar se pode piorar, vemos uma constrangedora opressão de uma turba enlouquecida, um fenômeno já visto na história na Itália e na Alemanha, que dizimou milhões de pessoas assim como liquidou seus protagonistas sem misericórdia.

Nossas autoridades, não todas obviamente, mas as mais proeminentes, estão colocando as cabeças dos brasileiros dentro de um liquificador social que tritura e fragmenta a saúde mental de modo cruel e inconsequente. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

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