Vitrine Online, a melhor informação !

IBIÚNA – MORTE DE PEIXES EM RIOS E NA REPRESA ITUPARARANGA É PREOCUPANTE

A aparição de peixes boiando mortos em rios que deságuam na represa Itupararanga e na própria represa foi revelada ontem (28) por pessoas que se preocupam com a situação do meio ambiente, não apenas no município de Ibiúna, mas, também, nas cidades que são abastecidas por suas águas, como Sorocaba, Votorantim, Ibiúna, São Roque e Alumínio.

As mesmas fontes ouvidas por vitrine online atribuem esse fenômeno à grande descarga diária de milhares de toneladas de esgoto in natura [não tratado] tanto nos rios quanto na represa, além de grandes quantidades de nutrientes e agrotóxicos utilizados pela agricultura que escoam pelas mesmas vias hídricas.

“É uma vergonha”, afirmou um munícipe que acompanha diariamente o nível de águas da represa, acrescentando que “o cheiro de fezes na boca da Cachoeira” é nauseante, chamando a atenção para a cor das águas amarronzadas e cobertas de espuma indicadoras de sua causa.

“A população tem que saber o que ocorre no meio ambiente em Ibiúna mesmo porque a situação compromete o futuro de todos nós”, acrescentou.

Outro munícipe assinalou que “a legislação municipal é totalmente desobedecida e desacreditada” e acrescentou que, além da poluição hídrica, “tenho me deparado com sérios problemas de desmatamento, loteamentos não regularizados, desmembramento de áreas”, o que contribui para a degradação da natureza.

Um empresário ibiunense declarou: “Estamos em uma ilha rodeados de puro esgoto, sendo despejado nos rios de Una, Sorocabuçu, Sorocamirim e Sorocaba”, que se forma a partir da junção dos três primeiros no Varjão, uma área de grande extensão que margeia a área urbana de Ibiúna.

PROBLEMA É GRAVE

Em janeiro de 2018, vitrine online publicou uma série de quatro matérias com o biólogo André Cordeiro Alves dos Santos, especialista que mais conhece a qualidade das águas da represa Itupararanga, que ele pesquisa há mais de dez anos. Ele é professor de microbiologia ambiental e recursos hídricos da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), campus Sorocaba, e coordenador da Câmara de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos do Comitê de Bacias do Rio Sorocaba e Médio Tietê.

Na ocasião, o Dr. André fez uma advertência não apenas para a população do município de Ibiúna, mas de toda a Região e também do Estado de São Paulo. Ele previu que se o nível de degradação das águas continuasse no ritmo observado, a bela represa Itupararanga poderá virar um “pântano” daqui a vinte anos. Dois anos já se passaram desde que fez essa previsão.

Vitrine online divulgou a série de matérias com o objetivo de despertar as autoridades e a população para se mobilizarem a fim de evitar uma tragédia ecológica anunciada. Todos aqueles que amam e respeitam Ibiúna devem, de alguma forma, colaborar com ações efetivas para salvar Itupararanga e os rios e córregos que a abastecem.

A aparição de peixes mortos esta semana fazem recordar a avaliação feita há cerca de dois anos pelo biólogo:

“Os efeitos das descargas de nutrientes e agrotóxicos utilizados pela agricultura no sistema hídrico da região, o principal problema não é a agricultura e nem o agricultor, mas é a falta de mecanismos de controle desse material. Então, é preciso promover uma agricultura de forma que conserve mais o solo, recuperar as áreas de vegetação principalmente nas beiras de rios, áreas de mata ciliar, dar treinamento aos agricultores em termos da quantidade de nutrientes e fertilizantes que usa para não ir muito para a represa.

As pessoas ouvidas por vitrine online chamaram a atenção também para o papel e a responsabilidade da Sabesp em relação a esse problema que vem se agravando sem a adoção de medidas que possam ao menos amenizá-lo. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

Comentários