QUE REGIME POLÍTICO BOLSONARO TEM EM MENTE?

“Se tudo tivesse que depender de mim, não viveríamos neste regime”, afirmou o presidente Jair Messias Bolsonaro, ao participar de uma solenidade realizada neste sábado (20) na Escola de Cadetes do Exército realizada em Campinas, quando se formaram 419 novos cadetes, entre os quais 32 mulheres. Bolsonaro fora aluno da mesma escola.

Que regime político Bolsonaro tem em mente, já que não esclareceu qual seria sua ideia? Teria ele imaginado uma nova forma de democracia ao contemplar o imenso jardim do Palácio da Alvorada, frequentado por emas e outros animais?

Um regime baseado na implantação de nanochipes no cérebro de 220 milhões de brasileiros capaz de estabelecer um novo padrão de comportamento social controlado a distância, de modo a que todos deixariam de pensar por conta própria, abririam mão de suas individualidades e agiriam como manada obediente? Se não…os pequeninos aparelhos seriam desligados e, assim, cada um dos seus portadores cancelados?

A declaração do presidente é merecedora de uma análise mais profunda e propõe uma nova pergunta: se ele tiver o poder que precisaria ter para impor tal regime, o que seria mais viável do ponto de vista da realidade objetiva que indica que há um notório processo de militarização em andamento no País, que agora deverá incluir a  direção da Petrobrás, por sua determinação que é considerada uma intervenção na maior empresa do Brasil?

Será que nos seus devaneios ideológicos pode ultrapassar que estamos no Terceiro Milênio e que o mundo de hoje, embora tenha demonstrado uma tendência esquizofrênica com a direita de um lado e a esquerda do outro e, no meio o caos e a desumanização jamais vista pelo menos em relação a fenômenos quantitativos, pois já ultrapassamos 7 bilhões de almas dispostas na superfície do planeta?

Será que um país continental, como o Brasil, cujo território tem um número grande de estados que são maiores do que diversos países europeus, poderá ser comandado como se fosse isolado do mundo civilizado?

Um brasileiro medianamente atento e sensível está sujeito a novos sustos a cada momentos, sobretudo depois da notória incompetência governamental para fazer frente à maior pandemia dos últimos 100 anos, de defender sua população que é seu dever inalienável e constitucional. Os incríveis números de contaminados e mortos no Brasil são estarrecedores, ante a ineficácia das ações do governo.

Por isso, uma diversidade de outros fatos que geram perplexidade e medo generalizados, além de insegurança econômica, política e social.

A saída não seria “inventar” ou “impor” outro regime, mas respeitar os princípios elementares da velha boa democracia que, com todos os seus defeitos, ainda constitui a melhor forma de governo já criada pela humanidade, caso pudesse se libertar das distorções e corrupções de natureza política que borram a imagem de um país naturalmente encantador. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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