PRIMAVERA, EU TE QUERO BEM PERTO DE MIM

Nesta quarta-feira (22) tem início a Primavera, de acordo com o calendário criado pelo Homem em nosso hemisfério, em busca de entender e marcar os ciclos da Natureza.

Mas antes dessa data, nestes dias de setembro fui surpreendido todos os dias, ao olhar as plantas e árvores no meio das quais tenho vivido.

De repente, a pitangueira que estava completamente nua de folhas se revela em sua beleza com suas flores alvas das quais se desprende um perfume suave, um atrator de muitas pequenas abelhas que vão sugar seu néctar.

Um novo olhar e o chão está repleto de petalazinhas brancas e em seu lugar a planta se cobre de folhas.

O ipê amarelo que estava sem folhas explode em suas cores amarelo-ouro e tinge o gramado com o seu esplendoroso tapete, assim como a caliandra se abre para receber os raios do sol. E tem muitas outras plantas floridas cujo nome desconheço. Mas, nem seria necessário; elas estão ali por si mesmas revelando suas plenitudes.

O pau-brasil, em grande estilo, também me surpreendeu, com a aparição silenciosa de suas flores encantadoras.

Em outras árvores e arbustos surge um variado colorido de deslumbrante beleza, cada qual com sua floração específica. A mudança na paisagem é tão surpreendente quanto fascinante. Elas se vestem de flores das mais variadas cores e matizes, de intensos e diversos perfumes. Muitas árvores e plantas vivem essa estação seu período reprodutivo.

A floração primaveril é um doce convite para renovação.

Leia o que escreveu o filósofo Albert Schweitzer:

“Quando na primavera a cor pardacenta cede lugar ao verde [e a uma infinidade de cores] que desponta dos campos, assim acontece porque milhões de brotos novos surgem das raízes. Assim também a renovação das ideias para o nosso tempo de outro modo não poderá vir senão pela transformação que muito e muitos possam operar em seus propósitos de vida e em seus ideais, refletindo sobre o sentido da vida e do mundo.”

A primavera é o sorriso da vida e da alegria de estar vivo e querer viver como uma força suprema que constitui todos os seres viventes, diante do infinito mistério da criação. Afinal, só podemos ver o que nos aparece, mas não as suas causas. Buda despertou depois de permanecer em meditação debaixo de uma figueira durante 59 dias, mas, isso é tema para a filosofia… (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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