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CONVERSA ENTRE POLÍTICOS, SOB O SOL DA PRIMAVERA

Desde cedo a gente aprende e repete que “a rua é pública” e isso inclui a calçada e quer dizer que esse é um território livre para ir e vir. Exatamente isso está acontecendo agora: dois políticos sobem a rua em direção ao mesmo banco, sem que esse destino seja previamente conhecido por nenhum dos dois personagens. Um sobe por uma calçada e outro pelo passeio do outro lado da rua.

Ops! Eles já se perceberam, mas, cada um, a seu modo, finge não ter visto o outro. Isso abre na cabeça de ambos um processo mental de pensamentos que surgem em ondas.

“Lá vai aquele b…”

“Droga, tinha que ver esse cara agora?”

“Esse cara é um safado, sem caráter.”

“Ele comprou uma pick-up Hilux zero-quilômetro e dizem que está construindo uma nova casa.”

“Vou espalhar que o viram numa casa noturna em São Paulo, querendo tirar a roupa e gritando o nome do time, no maior porre.”

“Ele pensa que eu não sei que está pendurado no banco porque ficou sem a sua parte.”

“Qualquer dia vou jogar o copinho com chá quente na cara dele. Esse mau caráter.”

“E esse fdp conseguiu mais emprego para seus eleitores do que eu.”

“Tô só esperando uma oportunidade para dar um flagra.”

“Cara de pau, pensa que a gente é bobo, vá enganar outro, nojento!”

“Vive pagando matérias para sair no jornal como se fosse um santinho dedicado ao povo.”

“Qualquer hora dessa a casa vai cair para esse cachorro sem-vergonha.”

“Esse cara vive puxando o saco do governo e ninguém faz isso por acaso.”

“Invejoso de m…”

“Picareta.”

“Ô, mané, aproveita que a mamata vai acabar, tá sabendo?”

Agora os dois se encontram na mesma calçada em frente ao banco.

“Ô, fulano, como vai?”

“Melhor agora.”

“E aí, como anda a vida?”

“Se melhora, estraga.”

“É assim que se fala, otimista.”

“Tem que ser né?”

“E você, como vai.”

“Levando na boa.”

“Como está aquele seu projeto…?”

“Pampa! E eu vou contar com seu apoio, viu?”

“Já tá com ele. Gostei muito de sua ideia!”

“Vem cá, viajei para o Chile e trouxe uns vinhos da hora.”

“Pensei em você e lhe trouxe uma preciosidade das montanhas chilenas extraída da famosa carmenere.”

“Tá, brincando, gosto muito.”

“Posso levar pra você hoje à noite? Você providencia um queijinho?”

“Claro. Vamos deglutir um Barilla capellini 3 minuti da hora, com folhas de manjericão e alcaparras.”

“Sabe por que gosto dessa vida de político? Porque a gente tem a oportunidade de fazer grandes amizades.

“Sabia que eu penso a mesma coisa que você?”

Se despediram. Um foi para o caixa automático e o outro conversar baixinho com um gerente. (C.R.)

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