IBIÚNA – GASTOS COM A RODOVIÁRIA AUMENTAM R$ 1,3 MILHÃO

A famigerada história da reforma da estação rodoviária, que passou ironicamente a ser chamada de “catedral” pela população de Ibiúna, porque parece interminável, ganha agora mais um capítulo, para variar, marcado por uma notícia negativa.

No dia 18 de maio último, o Diário Oficial do Estado de São Paulo publicou um aditivo, o quarto, para correção do montante a ser pago para a empresa contratada para executar a reforma – MCJ Ferraro Empreendimentos Ltda. – no valor de R$ 5.858.159,25.

Em relação ao valor inicial do contrato de R$ 4.511.299,03, significa um aumento de R$ 1.347.840,22 a sair do cofre público municipal, já que a Caixa Econômica Federal, como vitrine online publicou, deixou de financiar a obra [leia abaixo].

Iniciada no dia 20 de novembro de 2021 com prazo contratual de término para o dia 14 de julho de 2022, a reforma do terminal rodoviário de Ibiúna se tornou o assunto mais polêmico no município de Ibiúna.

Essa situação já provocou enorme desgaste na imagem pública da atual administração.

Apesar da indiscutível importância da conclusão dessa obra para a população e visitantes da cidade, uma estância turística, o atraso persistente continua gerando grande desconforto aos usuários desse serviço, que passaram a tomar os ônibus numa rua central, expostos às intempéries [sol quente, chuva, frio]. Isso já faz 18 meses.

Como vitrine online publicou, o financiamento de R$ 4.511.299,03 [R$ 3.785.440,61 de repasse e R$ 725.585,42 de contrapartida] resultou do contrato assinado entre o Município de Ibiúna e o Ministério do Turismo em outubro de 2018.

A Caixa Econômica Federal liberou somente R$ 750 mil até o dia 31 de dezembro de 2021 e, em seguida, cancelou cerca R$ 3.000.000,00  do montante total previsto, possivelmente por falta de dados para as medições do andamento das obras, requisito fundamental para a liberação das parcelas.

Print da publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo de 18.5.2023

A Prefeitura, diante desse impasse, informou que, a partir de então, a reforma seria tocada com recursos próprios da municipalidade, chegando a divulgar que não haveria problemas, já que contava com excesso de arrecadação de tributos. Informou que, desse modo, a obra seria acelerada, pois não dependeria mais das medições exigidas, mas essa promessa não se realizou.

No entanto, mas só na aparência, os protagonistas de plantão no atual Executivo ibiunense parecem não se chatearem com o escárnio que a população vem manifestando sobre o andamento das obras, como ocorreu na quarta-feira (14), na Câmara Municipal, durante reunião de comerciantes e autoridades do setor da segurança pública no município, para discutir a onda de furtos e assaltos na cidade.

Em conversa sobre a má fama da reforma da rodoviária ibiunense, um leitor bem-humorado disse: “A população nem sabe desses aditivos, mas como reagiriam Rick & Renner, que cantaram na festa de aniversário da cidade, se soubessem que receberam um cachê mais magro do que a dupla Gian & Giovani, que se apresentou na Festa de São Sebastião, com toda pompa, circunstância e cortesia dos exibidos anfitriões?”

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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