A TRISTE REALIDADE DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM IBIÚNA

Ainda sob o dolorido choque provocado pela brutal morte da Karen em relação à qual a sociedade clama por justiça, os dados sobre violência contra crianças e adolescentes no município de Ibiúna são preocupantes.

Em 2022, vitrine online publicou notícia em que um integrante do Conselho Tutelar fez a revelação de uma realidade cruel e impiedosa.

Segundo ele, o município de Ibiúna ficou em terceiro lugar na violação de direitos sexuais das crianças e adolescentes em toda a Regiao Metropolitana de Sorocaba composta por 48 municípios, considerando a incidência de casos em relação ao número de habitantes.

Um relatório do Conselho Tutelar relativo ao ano de 2021 constatou a ocorrência de 35 casos de estupros de crianças e adolescentes em Ibiúna. Nessa ocasião, um conselheiro disse acreditar que na verdade o número real tenha sido o dobro no município. Ele esclareceu:

“Isso porque existem casos ‘ocultos’, em silêncio, sem denúncia, talvez por medo, coação e ameaças às vítimas.”

Dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo apontou que de 2017 a 2021 foram anotados oficialmente 155 casos de estupros de vulneráveis no município.

Ao participar de uma reunião esta semana do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, o jornalista Carlos Rossini, editor de vitrine online e diretor da TVNA, na condição de sociólogo, qualificou esses eventos como claros sinais de psicopatologias sociais graves vitimando exatamente pessoas vulneráveis, como crianças e adolescentes, principalmente.

Lembrou que no dia 8 de dezembro de 2023, um desses portadores de doença mental, que vinha fazendo tratamento no CAPs até 2016, em plena luz do dia e em uma das duas principais vias públicas do centro de Ibiúna, desferiu um violento soco no rosto da Evelly uma menina de 11 anos que descia a calçada ao lado da mãe. A menina caiu devido à violência do golpe. Mais tarde a GCM prenderia o criminoso e o levaria à delegacia. Ele, no entanto, não ficou preso.

Agora, então, um outro caso chocante, que repercutiu até mesmo no exterior, envolvendo a Karen, uma adolescente de 13 anos, vítima de uma crueldade indescritível. A dor e a revolta se espalharam por toda a sociedade.

Nesse ambiente, além da apuração dos fatos, da indispensável captura e prisão dos criminosos, e se sabe que a Delegacia de Polícia de Ibiúna está trabalhando intensamente no caso, é preciso que toda a sociedade se mobilize a fim de criar robustas defesas preventivas para evitar a ocorrência de novos casos que, infelizmente, podem ocorrer quando menos se espera.

Lamentavelmente, pessoas com graves problemas mentais fora do controle dos poderes públicos e considerando a existência de muitas clínicas particulares no município, se movimentam pelas ruas da cidade e nas dezenas de bairros rurais, o que, pelos fatos apontados pedem novas iniciativas de políticas públicas mais eficazes.

Não menos importante é a constatação de que muitas das violações de crianças e adolescentes ocorrem no interior do ambiente familiar e de pessoas próximas das vítimas.

Triste realidade!

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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