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OPINIÃO – CASSAÇÃO DE PARLAMENTAR REFLETE FALTA DE LIBERDADE MORAL DOS POLÍTICOS

Condenado a treze anos pelo Supremo Tribunal Federal e preso por desvio de verbas públicas em Rondônia, o ex-deputado Natal Donadon (ex-PMDB), teve seu mandato cassado ontem na Câmara Federal por 467 votos e uma abstenção [do deputado Asdrúbal Mendes – PMDB-PA, condenado por compra de votos], na primeira decisão daquela Casa por voto aberto.

No dia 29 de agosto de 2013, quando o voto era secreto, o mesmo parlamentar teve seu mandato mantido. Para cassá-lo eram necessários 257 ou mais votos a favor.

Essa mudança radical de atitude reforça uma teoria de que falta liberdade moral aos políticos. No escondidinho do anonimato agem de uma forma, sob as luzes do voto explícito se transformam em outros personagens, cuidadosos em preservar sua imagem, especialmente num ano eleitoral.

Como Brasília política fica muito distante do Brasil real, da miséria do povo e da saúde pública catastrófica, as conversas e entendimentos entre os políticos parecem ocorrer em outro mundo, num universo de interesses que tende a instituir confrarias de ajuda mútua.

É também abominável o conservadorismo e a burocracia grudenta que operam em notório descompasso com a sociedade real. Vive-se ali como num oásis mantido pelo dinheiro que chega de todas as partes do país e constitui o tesouro nacional. Ali também se decide sobre nossas vidas, sem que tenhamos nenhuma participação.

O voto aberto que cassou Donadon foi um golpe contra o corporativismo que tende a transformar os parlamentares colegas que se encontram nos corredores, cafés e nos restaurantes e, como sempre, se dão tapinhas nas costas celebrando o poder comum que lhe foi atribuído pelo povaréu.

As chamadas moedas de troca circulam extensivamente constituindo uma realidade artificial mantida à custa do aprisionamento da moral, como foi refletido pelo flagra que levou à condenação de mensaleiros, atores de uma peça interpretada por membros do Executivo, do Legislativo e por empresários inescrupulosos. O voto aberto é um pequeno passo para inserir a liberdade moral de modo continuado na cultura da política brasileira – fruto de um novo e necessário modo de pensar e de agir diferente do utilitarismo irresponsável. Assim, o político teria um campo de atuação menos pecaminoso e uma visão mais compatível com o desejado progresso civilizatório.

 

Carlos Rossini é
editor de vitrine online

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