IBIÚNA – PREFEITO VISITA HOSPITAL COM JEITÃO PATERNALISTA
O prefeito Mário Pires, como tem sido usual, postou um novo vídeo nas redes sociais, produzido em uma visita feita na tarde desta segunda-feira (27) ao Hospital Municipal de Ibiúna – HMI.
“Essa é a nossa visita diária [ao hospital] para que todo o ibiunense tenha um serviço de qualidade na saúde de Ibiúna”, disse em uma breve mensagem, enquanto se dirigia aos pacientes, alguns dos quais tocava e afagava com as mãos.
É importante, decisivo mesmo que o prefeito visite o hospital e, sobretudo, verifique como está seu funcionamento do ponto de vista dos pacientes objetivo final da instituição, se estão sendo bem atendidos e satisfeitos.
Mas, para um observador atento, é inevitável reconhecer que o comportamento do chefe do Executivo foi marcado por claras atitudes de natureza paternalista, termo inserido no dicionário político no fim do século XIX para descrever governantes que “agem como pais protetores”, afirmando que busca o bem-estar e a proteção das pessoas mais carentes.

ÍNTEGRA
Veja o que afirmou o prefeito em sua peregrinação pelos corredores e salas do HMI, enquanto interagia com as pessoas:
“Uma das nossas missões é visitar sempre o Hospital Municipal de Ibiúna. Hoje (27) é uma segunda-feira, dia de fluxo alto, e a gente está aqui por volta das duas horas da tarde visitando o hospital vendo o fluxo, o atendimento médico e das enfermeiras e também ouvindo a população.
É muito importante que quem trabalha aqui esteja bem cuidado com os aparelhos e com todos os equipamentos disponíveis para o trabalho e também que seja atendido e também tenha confiança no trabalho do Hospital Municipal de Ibiúna.”
Em nenhum momento, o prefeito se referiu à falta de pagamento dos direitos trabalhistas dos 162 funcionários demitidos pelo Igats, que vinha gerenciando o hospital e foi substituído no dia 19 de julho pelo Instituto Morgan.

“GRÁVIDA E SEM RECEBER”
Eis alguns comentários:
Samara Borba: “Estaria mesmo o senhor preocupado e monitorando o atendimento? Se nem a empresa que saiu foi. Estou grávida e há mais de um mês sem receber do Igats, e até agora sem qualquer data para que a sua gestão e a denominada empresa se entendam e honrem o pagamento. Um vídeo aceita tudo, mas na prática é outra a realidade. Uma grávida de seis meses foi mandada embora e sem ter ao menos os seus direitos garantidos. Parabéns, Mário Pires. Com ações assim, o senhor está abrindo as portas para outro grupo político voltar ao poder daqui 2 anos.”
Pedro Vieira: “Se todos lerem o contrato que a Prefeitura tem com o Igats, saberiam que a Prefeitura deveria fiscalizar os serviços prestados. Como isso não aconteceu, é total responsabilidade em honrar nossas verbas rescisórias e aí então entrar juridicamente contra a empresa. Mas, jamais deixar os funcionários na mão.”
Valdirene Edinaldo Cesário: “Minha irmã tá aí [no hospital] desde 1 da tarde e não foi atendida até agora.”
Alexandre Cavalcante: “Tá a mesma coisa, não mudou nada!”.
Lita Ribeiro: “Desculpa, prefeito! Só falar não adianta nada. Tem que fazer. Estamos cansados de ouvir só promessa. Chega!”
Claudinha Leite: “Perdemos o voto.”
DISSONÂNCIA
Como se nota há uma notável dissonância entre a postura cênica do prefeito e a intepretação dos cidadãos e, enquanto houver essa distância e falta de sintonia a verdade dos fatos poderá se distanciar cada vez mais o sonho da população de ver o hospital municipal com um novo olhar de aprovação.
Exatamente neste momento em que uma nova organização assume a gestão hospitalar em Ibiúna, em que a esperança de que as coisas vão dar certo [finalmente], vão melhorar, torna-se fundamental a transparência pública como um ato de coragem e compromisso com a verdade, na posição de protagonista da história, e não figura meramente decorativa. (C.R.)

