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DUPLA SERTANEJA IBIUNENSE ‘RIO PEQUENO E PARAÍBA’ EMOCIONA OS OUVINTES COM SUAS MODAS, TOADAS E CATERETÊS

Rio Pequeno e Paraíba são dois violeiros ibiunenses, intérpretes fiéis às origens da música de raiz e defensores desse gênero como expressão da cultura sertaneja brasileira. Quando pegam as violas, começam a pontear e soltam suas vozes caboclas encantam imediatamente. Se for a moda “Jeitão de caipira”, o rasqueado “Adeus Morena, Adeus” ou a canção rancheira “Florzinha do Campo” ou outras dez músicas do primeiro CD que gravaram – emocionam. Entram no coração dos ouvintes também com toadas, cururus e cateretês, criando imagens cinematográficas na imaginação.

Fãs de Tonico e Tinoco, a dupla caipira mais famosa do Brasil, cantam “Mourão da porteira”, de João Pacífico, com a reverência de quem faz uma oração: “Lá no mourão esquerdo/Onde encontrei você para despedir/Tem uma lembrança minha derradeira/E um versinho que eu nele escrevi…”

Mas também trazem na memória nomes importantes desse gênero no Brasil, como o pioneiro Cornélio Pires, escritor e violeiro; Liu e Leo, Zico e Zeca, Vieira e Vieirinha, Raul e Tavares.

Rio Pequeno (José da Silva) aprendeu a tocar de oitiva, escutando rádio e ouvindo música na vitrola do pai tocada a corda. Bom ouvido, aos dezesseis anos já dedilhava e cantava. Seu irmão Paraíba (Joaquim Antonio da Anunciação), com quem faz a dupla, e Braz Antonio da Anunciação, o caçula dos três, aprenderam, a tocar e a cantar com Rio Pequeno, que cuidou dos irmãos quando o pai morreu. Braz é o Serra Azul da dupla Maranhense e Serra Azul.

Violeiros de São Sebastião

Rio Pequeno e Paraíba integram o Grupo de Violeiros de São Sebastião e tocam nas missas da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores. Durante doze anos cantaram na missa do alvorecer antes da saída de Sebastião de sua capela no Sertão, cuja homenagem anual constitui a maior festa religiosa de Ibiúna. Até hoje se apresentam na praça da Matriz, durante os festejos de São Sebastião.

Pé de Cedro (Fernando Batista) da dupla Pé de Cedro e Zé das Flores (Miguel Ferreira), de São Miguel Arcanjo, era o líder do Grupo dos Violeiros. Zé das Flores tem sido o responsável por criar e adaptar letras sacras nas melodias de músicas sertanejas conhecidas.

Quando Pé de Cedro morreu, há cerca de oito meses, a continuação do grupo balançou, mas Zé das Flores pediu: “Por favor, não parem, porque a vida dele era esse grupo. Se parar, ele vai morrer duas vezes.” Esse apelo serviu como inspiração para sua continuidade.

A família da dupla de violeiros e contava doze filhos [alguns morreram ainda pequenos] e trabalhou na roça muitos anos, na Fazenda Pereira (de Juca Pereira), no bairro do Vargedo, distante cerca de quarenta quilômetros do centro de Ibiúna, pela estrada do Murundu. Plantava milho, feijão, cana, batata doce, mandioca, abóbora.  No início da década de 1970 muda-se para cidade. Ao longo dos anos, se apresentaram em diversas localidades da região. Na Rádio Clube de Sorocaba cantaram durante dez anos e nunca deixaram de participar, em Aparecida, do Dia Nacional do Sertanejo.

Defesa de uma cultura

Rio Pequeno pede, sobretudo à juventude ibiunense, que não deixem morrer a cultura da verdadeira música de raiz, que expressa o modo de vida do caboclo, do trabalhador rural, que constitui a maior parte da população de Ibiúna. “É a cultura do sertanejo puro, brasileiro.” Segundo ele, hoje existem cinco ou seis duplas de artistas atuando nesse gênero em Ibiúna.

Ele é autodidata musical e também auto-alfabetizado. Nunca foi à uma escola, mas ficava ao lado do primo, observando ele fazer a lição de casa. Esforçado, foi aprendendo também. Por falta papel ou caderno, muito esforçado, usava um pequeno pedaço de pau com o qual escrevia em cascas de palmito e na areia.

Na verdade, Rio Pequeno reflete, com sua vida real e artística, a de milhões de brasileiros que vivem no campo e como ele aprende direto com a linguagem das matas, dos rios, do céu, das estrelas; enfim, da mestra Natureza.

Contato: Dupla Rio Pequeno e Paraíba – (15) 9.9725-4476

Dupla Serra Azul e Maranhense – (15) 9.9731-7125

 

 

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