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O SONHO DE UMA MULHER IBIUNENSE

Uma coisa foi puxando a outra e, como tudo ocorre escandalosamente por acaso – contrario aqui o mito do “nada é por acaso”, que é uma forma generalizada de um desejo humano de manter a esperança – e a vida interior dela foi se abrindo como uma flor ao sol. Mantém-se sempre discreta, exceto entre amigos e confidentes, mas está descontente. Revela isso com olhos de cidadã atenta ao andamento da carruagem. Quer caminhar todas as tardes com liberdade e manter a saúde e enfrenta os obstáculos e perigos de uma obra inacabada, onde já tropeçou aqui e ali e sabe que o caminho continua igual e repleto de armadilhas.

Ao cruzar diariamente com outros imaginou que todos possam igualmente estar descontentes. E se nos reuníssemos e procurássemos, juntos, dizer que está errado, que essa não é uma maneira correta de tratar os cidadãos que pagam os impostos e merecem ter espaços públicos onde possam se mobilizar com segurança, conforto, pelas manhãs, a sol a pino, à tarde?

Essa idéia a levou a pensar na população de modo geral, na forma como se comporta, muitas vezes agindo com passividade, aceitando o que aí está, mesmo que seja ruim, mas se viu assaltada por um pensamento travador: por que as pessoas têm tanto receio de se manifestar pelos seus direitos básicos, elementares?

Reflexão ampliada abrange um lugar para simplesmente andar para manter a saúde e outros setores da vida pública: a saúde, o transporte, a segurança e assim por diante. Mas não quer confusão para sua vida: só quer um lugar decente para caminhar.

Talvez muitos turistas possam querer a mesma coisa, se tiverem um lugar adequado para estacionar seus carros e ir e vir admirando o verde e plantas paisagísticas que faltam, mas poderão existir ali algum dia.

A inércia dos cidadãos e a distância que os mantém afastados dos fatos reais podem justificar o status quo, explicar em parte a situação que chega que ‘nos faz sentir um sentimento de abandono deprimente’.

Se depender da maioria, continuarão repetindo todos os dias o mesmo traçado vaivém por toda a breve eternidade?

Toma coragem, pede ajuda e se surpreende com a promessa que a terá, mas desconfia “não pode furar”. Faça sua parte, que farei a minha. Está insegura em relação às outras pessoas que muito provavelmente não queiram se comprometer com nada e tampouco mostrar descontentamento.

Guardadas as proporções, talvez estivesse em seu inconsciente uma frase dita pelo pastor norte-americano e Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King (1929 – 1968): “O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas o silêncio das pessoas boas.”

O sonho de King, que provocou seu assassinato, era libertar os negros da opressão e violência que sofriam nos Estados Unidos, o da nossa cidadã ibiunense e bem mais simples: ela quer um lugar apropriado para andar. (C.R.)

 

 

 

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