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POLÍTICOS SÃO ESPECIALISTAS EM “COZINHAR O GALO”

Cozinhar o galo significa fingir que se está fazendo alguma coisa.
Numa palavra, é enrolar. A maior parte dos nossos políticos é especialista
nessa arte.
Segundo o escritor Mário Prata, parece que esta arte tem alguma coisa
a ver com aquela conversa entre Jesus e Pedro: “Hoje, antes que o galo cante,
negar-me-ás três vezes”, disse Jesus a Pedro.

       Então, Pedro, com medo de que aquilo viesse mesmo a acontecer, teria
pedido a Tiago para “cozinhar o galo” até o dia amanhecer. Tiago, porém, que
não sabia enrolar, não captou a mensagem.
A maior parte de nossos políticos, no entanto, a captaram. Por isso, suas frases mais repetidas são, entre outras, as seguintes:
“Estou estudando o teu caso com muito carinho”
“Passei tua solicitação para o meu secretário que, logo, te procurará”
“Não o esqueci, é que andei muito ocupado.”
“Criei uma comissão de estudo só para cuidar desse assunto.”
“Aguarde, e logo terá uma agradável surpresa.”
“Estou aguardando o parecer do setor jurídico que, provavelmente, será favorável.”
“Não dormirei sossegado enquanto não atender à sua solicitação.”
Se durante a campanha, o político prometeu mundos e fundos e, se eleito, não puder cumprir, ele recorrerá à arte de cozinhar o galo e dirá:
“As circunstâncias, mudaram e, infelizmente, as promessas de ontem não podem ser cumpridas hoje.”  “Talvez amanhã. Vamos aguardar. Mas, conte sempre comigo”. “A crise, meu caro amigo, é mundial. Mas, a gente, está fazendo das tripas coração.”
Se a expressão “cozinhar o galo” tem um sentido pejorativo, não é por culpa do galo, mas do ser humano. O galo simboliza a altivez, o que é justificado pela sua postura. Ele é,também, símbolo solar, pois, seu canto, anuncia o nascer do sol. E, por anunciar o sol, ele tem poderes sobre as influências maléficas da noite. Por isso, a verdadeira arte de cozinhar
o galo, é não cozinhar o galo, mas deixa-lo cantar anunciando um novo dia. Um dia em que as ações maléficas e traições praticadas na calada da noite, virão à público. E, então, seráuma nova manhã. Mas, como observou o nosso poeta João Cabral de Melo Neto,
“Um galo sozinho não tece uma manhã;
ele precisará sempre de outros galos.”
De outros galos que, com seu canto, venham despertar a consciência moral daqueles indivíduos que nada mais fazem do que cozinhar o galo. A verdadeira arte, porém, estáem não cozinhar o galo e deixá-lo cantar.

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Claudino Piletti é professor-doutor em Pedagogia e autor de vários livros. Gaúcho de Bento Gonçalves, reside em Ibiúna há longa data com a família.

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