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ATITUDES GENTIS AJUDAM A MELHORAR AS RELAÇÕES HUMANAS

Pequenas cortesias ou gentilezas, como desejar “bom-dia”, agradecer “muito obrigado”, dar a vez para que uma pessoa idosa passe à sua frente, ajudar a quem lhe pede apoio com uma dificuldade visível, sorrir, ser amável, elogiar com sinceridade – todas essas atitudes fazem uma pessoa de bom feitio social e predispõem as partes envolvidas nas relações a um clima de simpatia que preenche a vida de significado humano, bons sentimentos e, sobretudo, contribuem para nos tornar mentalmente saudáveis, positivos e confiantes.

A professora Célia de Moura, que alfabetizou centenas de pessoas, hoje adultas, alguns papais e mamães, lembra que ensinava o que se denominavam “palavras mágicas” para inspirar relações de respeito entre as crianças. Naquele tempo a palavra bullying não era conhecida e tampouco havia tantos problemas como se veem nas escolas de hoje, em que professores são agredidos e alunos se agridem com uma fúria inimaginável então. Professor era um personagem muito respeitado, uma autoridade envolta por uma aura “mestre” venerável.

“Pedir desculpa também se incluía nesse nobre ensinamento de definirem regras de conduta para que haja uma convivência que forma o cidadão em sentido pleno, que respeita os direitos dos outros, assim como se faz respeitar, mediante a observação e controle da própria conduta”, recorda a professora que, quando se encontrava com ex-alunos nas ruas ou supermercados, era imediatamente alvo de manifestação de carinho e apreço.

A literatura pedagógica sustenta claramente que somos aquilo que aprendemos em nossas relações com o mundo exterior e vamos assimilando gradativamente. Se aprendemos ser gentis, tendemos a reproduzir gentilezas; se aprendemos agressão, é assim muito provável que nos comportaremos. Se somos nós e nossas circunstâncias como dizia o psicólogo Ortega y Gasset é nas interações em nossa mais tenra idade que “modelamos” normas de conduta. Era, portanto, muito bom ensinar palavras mágicas, e mais do que isso, fazer delas uma prática efetiva e isso a professora fazia, intervindo sempre que necessário, com o cuidado de não ofender nenhuma nem outra parte.

Quando vemos hoje, aos montes, as cenas de barbárie que as TVs apresentam nas formas mais absurdas de violência, que diminui o valor da vida à excrescência que um assaltante tem em sua mente quando aperta um gatilho e vê o outro cair, vemos o quanto nos distanciamos do processo civilizatório que nos prometia um estado de bem-estar. Essa foi a promessa (iludente) do sistema liberal, na tentativa de estabelecer um clima de paz social em favor da produção econômica. Talvez já soubessem que isso jamais ocorreria, mas precisavam lançar essa ideologia por questão de manter o trabalho sob nem sempre sutis processo de escravidão. O velhusco filme Como era verde meu vale retrata como as relações de produção reduziram os homens à mais abjeta condição de sobrevivência.

Hoje vivemos tempos de corrupção administrativa e política a começar dos altos escalões do governo federal, dos políticos e empresários. Basta citar o roubo bilionário da Petrobrás, cujos recursos serviriam para cuidar da saúde de toda a população brasileira, para verificar como é difícil dar boas lições de ética e moral para as crianças, pois quando crescem e percebem a realidade sofrem desilusão e tende a se refugiar numa “caverna” individualista, se defendendo como pode para sobreviver. E esta é uma das razões por que continuaremos a pagar um grande tributo, porque não ouvimos (os aproveitadores inescrupulosos, bandidos) e tampouco prestamos atenção às sábias palavras de uma professora que se esforça para nos fazer transcender nossa condição de animais para a de seres humanos conscientes e responsáveis.

“Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil” .

Não é isso que nós cantamos em nosso Hino Nacional? É preciso mais do que cantar a gentileza, praticá-la de verdade. (C.R.)

 

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