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MULHER FAZ SÁBIA SUGESTÃO A FÁBIO BELLO EM AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE TRANSPORTE COLETIVO EM IBIÚNA

Coube a uma moradora no bairro da Cachoeira fazer uma sábia e, talvez, a sugestão mais apropriada na audiência pública realizada ontem (7) à noite na Câmara Municipal de Ibiúna sobre o “novo sistema de transporte coletivo” que se pretende implantar na cidade. Ela convidou o prefeito e as demais autoridades municipais a “viajar com o povão nos ônibus” para experimentar diretamente o sofrimento diário vivido pela população.

A sugestão inclui o ciclo completo: a caminhada [às vezes de meia-hora ou mais] até um ponto de parada, locais sem abrigo, a espera da chegada do ônibus, as condições de desconforto nos veículos, o comportamento antissocial por parte dos fiscais, motoristas e cobradores da Viação Raposo Tavares [obviamente não de todos], que opera sob contrato emergencial. Seria uma atitude de humildade positiva se o prefeito aceitasse esse repto. Daria uma notícia exemplar na imprensa e despertaria seu sentimento de empatia. Assim, conseguiria agir na plenitude a razão de ser daqueles que tratam, por dever de ofício, da administração de uma cidade.

Em suma, a audiência, em si, foi extremamente positiva do ponto de vista democrático, em que pese alguns equívocos primários no decreto que a regulamentou, especialmente quando determina que “cada um [cidadão ou cidadã] terá direito a uma única manifestação”. Isso é uma cautela incoerente com o espírito de uma “audiência pública”, cujo objetivo é a absorção de reivindicações e sugestões em sentido pleno. Parece ainda haver resquícios de barbarismos na memória profunda da política brasileira herdados do coronelismo no Nordeste e das elites cafeeiras do Sudeste, tão arraigados em nossa cultura.

O POVO FALA

Uma coisa ficou patente: o povo corajosamente fez ouvir sua voz e isso é um sinal auspicioso que corrobora a tese da vitrine online de que a população está acordando para batalhar pelos seus direitos. E as autoridades foram devidamente informadas sobre os problemas mais agudos relacionados com o ineficiente transporte público em funcionamento no município de Ibiúna.

Ei-los: 1. É preciso urgente regularização dos horários de circulação dos ônibus; 2. Há bairros ainda não servidos por linhas de ônibus; 3. O número de ônibus à disposição dos usuários é claramente insuficiente para atender a demanda; 4. Aos sábados, domingos e feriados há linhas que ficam praticamente inoperantes ou extremamente espaçadas no tempo para serem consideradas como disponíveis; 5. Inexistência ou precariedade de abrigos nos pontos de ônibus; 6. Falta de manutenção dos ônibus e consequente desconforto acarretado aos usuários; 7. Falta de ônibus que garantam acessibilidade a portadores de limitações de mobilidade [cadeirantes]; 8. Falta de respeito aos usuários por parte dos funcionários [não de todos, por óbvio] da Viação Raposo Tavares; 9. Falta de iluminação pública nas estradas que torna insegura a condição dos usuários; 10. Falta de transporte alternativo em locais não cobertos pelas linhas regulares, como os bairros de Puris e Tavares, entre outros; 11. Falta de quem reclamar dos problemas e de obtenção de soluções.

EDITAL

O secretário da Adminstração, Ulisses Levi Rocha Pessoa, fez a leitura de manifestações  iniciais escritas em formulários, depois desnecessários por que [por oportuna iniciativa do presidente da Câmara, Rodrigo de Lima] a participação passou a ser feita diretamente de viva voz pelos presentes que formaram fila diante de um microfone improvisado sobre o parapeito do plenário da Câmara. Ele assegurou que todas as reclamações e sugestões coletadas na audiência públicas serão consideradas na elaboração do edital da licitação que abrirá concorrência para a exploração dos serviços de ônibus por um período que poderá chegar a vinte anos – sendo os primeiros dez renováveis para outros dez, uma condição requerida pelo atual prefeito para levar adiante a licitação.

AUDIÊNCIA

O prefeito Fábio Bello fez um brevíssimo discurso prometendo “dias melhores para o transporte da população”. Ele se mostrou inquieto durante todo o período que permaneceu na mesa dos trabalhos: olhava insistentemente no relógio, baixava a cabeça, levantou-se para buscar um copo de água e não sorriu e tampouco se mostrou descontraído em algum  momento. Na chegada cumprimentou um a um os presentes no plenário: vereadores e secretários municipais.

Curiosamente no parágrafo 4º do artigo 3º do Decreto nº 2045, de 13 de abril de 2015, que regulamentou a realização da audiência pública, lia-se: “Ficam proibidas quaisquer manifestações verbais, uso de apitos ou outros instrumentos acústicos que conturbem as discussões na audiência pública.” Essa ressalva, como se observou, foi, embora preventiva e reveladora de cautela, totalmente desnecessária. A manifestação popular ficou mesmo na expressão de sofrimento por que passa a população com sérias dificuldades provocadas por um serviço de transporte público deficiente. Agora resta esperar que as poucas palavras ditas pelo prefeito se transformem em realidade o mais rápido possível: que haja de fato dias, meses e anos melhores no transporte da população.

INVERSÃO

O editor de vitrine online, jornalista Carlos Rossini, na condição de munícipe, declarou que a questão do transporte público em Ibiúna apresentava uma inversão perversa: em vez de servir a população, para o que foi contratada, é a população que está servindo aos interesses comerciais da empresa de ônibus que está atuando no município.

Os lugares onde a demanda [passageiros pagantes] é pequena o serviço de ônibus ou não existe ou é precário, o mesmo acontece nos domingos e feriados quando praticamente não se pode contar com o transporte público, tão raro e espaçado é o seu fluxo, exatamente por que a demanda cai naqueles dias, o que não significa que não haja pessoas a transportar. Micro-ônibus ou mesmo vans poderiam suprir essa carência.

Dirigindo-se diretamente ao prefeito, solicitou que seja lançado um serviço de relacionamento proativo com os munícipes para atender não somente as demandas de mobilidade pública, mas de toda a espécie, o que seria uma demonstração de respeito por todos aqueles que pagam impostos e os merecem de volta, em forma de serviços públicos de melhor qualidade e satisfatórios. (C.R.)

 

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