PEERSONA – UMA HISTÓRIA DE AMOR COM IBIÚNA

Regiani Goes é uma ibiunense cujo amor pela cidade e suas notáveis demonstrações práticas desse amor são inquestionáveis. Por isso, e por tudo que ela nos conta aqui, passa a fazer parte da coluna PERSONA, publicada por vitrine online exatamente para homenagear ou apresentar personalidades e biografias que fazem parte de nossas vidas. Trata-se de pessoas nascidas ou adotivas que, de alguma forma, se fazem presentes. Acompanhe a narrativa, escrita por ela mesma, e veja o quanto seu testemunho retrata a própria história de Ibiúna:

Sou mãe, advogada, libriana, administradora da página Conhecendo Ibiúna. Considero-me uma mulher discreta, decidida, digamos que até teimosa, sonhadora, que acredita nas pessoas e nos seus potenciais,  observadora, gosta de gente sincera e verdadeira, gosta de estar em contato com a natureza.

Onde e quando nasceu e seu criou?

Nasci no dia 26 em setembro de 1976, no Hospital das Clínicas em São Paulo. Minha mãe me contou que naquela época não existia hospital em Ibiúna, que não era comum uma mulher acima de 40 anos engravidar, que os médicos diziam ser uma gravidez de risco para ela e para o bebê. Ela chegou a ouvir dos médicos que seria mais seguro interromper a gestação, mas ela foi firme em dizer que seguiria com a gravidez até o fim, mesmo que a vida dela estivesse em risco. Nasci de 8 meses e o primeiro mês de vida foi desafiador, eu não conseguia aceitar o leite materno e nenhum outro tipo leite. Meus pais recorreram ao farmacêutico Jurandy Soares de Mello, que na ocasião avaliou o meu estado de saúde, receitou o leite que acabei aceitando e tudo foi caminhando bem dali pra frente.

Fale de sua família

Tenho meu pai como meu melhor amigo. Minha mãe foi uma pessoa que me deu muito amor e proteção. Sou a “raspa” do tacho e tenho uma irmã e irmão. Sou da família Goes, Pinto, Vieira, Pontes, moradores dos Bairros Votarantim, Piaí, Murundu.

Sou bisneta do Marcelino de Goes Pinto,  Vô do meu pai, do qual conheci pelo livro Noiva Azul do historiador Sr. Linense [José Gomes, também vai participar desta coluna em breve]. Pelo que consta na história, meu bisavô acreditava no progresso da cidade e resolveu abrir uma estrada que iria facilitar a saída dos produtos da lavoura até a capital do estado. Essa estrada começou na ponte da estrada da cidade e foi até a Vargem Grande Paulista. Ele teve a coragem de reunir pessoas da sua família, vizinhos, e outros de vários bairros e iniciaram a construção da referida estrada em mutirão. Meu avô por parte de mãe, Vô Lulu (Benedito Vieira de Goes), foi um dos homens que se uniram ao engajamento do meu Bisavó. Não se preocupou com o fato de a estrada ser construída cortando o terreno da sua família. Os cidadãos, gente simples, que com uso de enxadas, enxadões, carroças e com muita boa vontade, construíram uma estrada.

Como era Ibiúna em sua infância e como é hoje?

Cresci brincando pelo bairro da Vila Lima, me aventurando pelo Mirante da Figueira de bicicleta (hoje dá até frio na barriga em lembrar descendo a rua da Figueira de bicicleta com os meus sobrinhos e amigos),  Capelinha  da Avenida São Sebastião e no coreto que era montado no mês de maio pra Festa de São Sebastião. Também brinquei muito nos riachos que tinham nas casas do meu Avô Lulu no Bairro Piai, do meu tio Zé, no Bairro do Murundu, tio Miguel do Bairro do Feital. Adorava “caçar” pinhão na Fazenda Santa Maria e Arapongas, também conhecido como Fazenda do Pontes, era comum reunir a família e amigos para fazer piquenique perto da nascente que corta o terreno da família. Tive casa na árvore, casinha de madeira com fogão a lenha (tudo feito com sobra de obra e para mim era o meu palácio). A minha infância foi regada com lendas folclóricas como Lobisomem, Buitatá, Saci-Pereré, Mula sem Cabeça entre outras.

Onde e com quem você brincava?

Sempre brinquei muito com os meus dois sobrinhos, filhos da minha irmã. Como eu era a única menina, sempre estava envolvida com brincadeiras de bolinha de gude, pião, carrinho de rolemã, pipa, futebol. Também brinquei muito de carteiro tem carta, pega ladrão, queimada, corda, taco, tênis (improvisado com duas tabuas pequenas), bicicleta, vôlei, de casinha na árvore. A maioria dessas brincadeiras aconteciam na rua ao lado do Hotel Ibitur.

Onde estudou aqui em Ibiúna e como foi esse período?

Minha primeira escola foi a Laurinda Vieira Pinto. Posso afirmar que foram os melhores anos da minha vida.  Adorava participar das atividades oferecidas pela escola, desfile cívico, teatros, dança de quadrilha junina, gincanas, desfiles, competição de vôlei.

Uma das atividades desenvolvidas na disciplina OSPB foi fundamental para escolha da minha profissão. Lembro como hoje quando a Dra. Margarete, na época nossa professora de OESPB, solicitou um trabalho onde teríamos que fazer algumas entrevistas. Eu fiquei com a missão de entrevistar o Juiz da cidade, lembro apenas no sobrenome “Tocco”. Que emoção foi entrar na sala da Justiça. Enquanto aguardava o Juiz chegar para entrevista, fiquei observando cada detalhe daquela sala e principalmente daquela estátua da mulher com uma venda nos olhos, segundando uma balança e um punhal. Sai dali sonhando com o Direito.

Ainda cursando a 8 série do ensino, trabalhei na Loja Dois Toques Modas como balconista, onde aprendi muito com a Lúcia e o Mário sobre atendimento ao público e venda.

Depois estudei na Escola Roque Bastos. Fiz o curso técnico em contabilidade e foi por intermédio desse curso que tive a oportunidade de estagiar na Caixa Econômica Federal. Após o término do estágio, trabalhei alguns meses na loja de tênis do Sr. Benedito e logo depois foi convidada para trabalhar na Hortec. A Hortec de Ibiúna era uma filial da grande São Paulo e  potência do ramo agrícola. Lembro de toda equipe com muito carinho, o Marcelo, Rogério, Massaru Yokota, Luiz Ayres e tantos outros que me ajudaram no meu crescimento profissional. Foi nessa empresa que aprendi sobre orçamento, faturamento, recursos humanos e fiscal. Em pouco tempo eu tinha a senha do cofre e uma cópia da chave da loja. Era maravilhoso acompanhar de perto toda evolução do ramo agrícola, hidroponia e chegada de sementes especiais.

Sou muito grata por todos os lugares em que tive a oportunidade de trabalhar. Em cada local foi adquirindo conhecimento e crescendo profissionalmente.

Como foi seu curso de Direito?

Depois de casada e com um filho, já morando em São Paulo, decidi ir atrás do meu sonho. Sim, o curso de Direito despertado num trabalho de escola da 8ª série. Mesmo com tanta dificuldade, o sonho gritava mais alto. Segui sem olhar para trás. Às vezes, no meio do caminho, eu pensava em desistir, mas graças a Deus sempre contei com palavras amigas que me incentivaram a seguir.

Sim, também tinham palavras que não ajudavam, mas as positivas as superavam. No meio do curso nasceu a minha filha, mas não parei em nada. Ela nasceu uma semana após acabar a bateria de provas e encerrar o semestre. Após as férias de julho, retornei pra aulas em agosto. Depois de dar de mamar e fazer a minha filha dormir, corria pra faculdade. Se ela acordasse no período da aula, meu marido ligava para mim e eu voltava correndo.  Meus amigos gravavam as aulas que eu eventualmente perdia e passavam cópias das matérias. Em dias de prova eu estudava cantarolando a matéria para minha filha. Assim eu estudava e ela ficava interagindo comigo. Assim segui até o fim e concluir o curso de Direito na UNIP.

O que faz atualmente?

Trabalho numa conceituada Instituição de Ensino Superior de São Paulo e sou responsável pelo departamento jurídico interno nacional. Foi meu primeiro emprego após eu decidir retornar ao mercado de trabalho, meu filho já estava com dois anos e acreditava que era o momento. Comecei como atendente ao estudante, depois de oito meses passei para assistente de diretoria e, após começar o curso de Direito, passei a trabalhar no departamento jurídico da IES. 

Qual é sua relação com Ibiúna na atualidade, já que você reside e trabalha em São Paulo?

As minhas raízes são de Ibiúna e sempre fiz questão de falar sobre minhas origens. Cheguei até ter o apelido de Ibiúna.

Apesar de morar em São Paulo, nunca deixei de ter endereço fixo em Ibiúna.

Como surgiu a ideia de criar “Conhecendo Ibiúna” (página na Internet)?

Quando lançou essa página?

A ideia de criar “Conhecendo Ibiúna” nasceu no dia 15 de janeiro de 2017. Eu estava conhecendo o Haras Passargada quando fui presenteada com um exemplar do Mapa Turístico da cidade da Editora Achei. 

Abri o mapa e vi que havia vários pontos turísticos que eu ainda não conhecia, então tive a ideia de criar um “desafio” para mim mesma, conhecer todos os pontos turísticos e divulgar nas redes sociais.

A página “Conhecendo Ibiúna” também me fez chegar até o curso de Turismo Rural do Sindicato Rural de Ibiúna e Senar. Conheci muitos projetos, lugares e pessoas por intermédio do Toninho do Sindicato Rural e do Prof. Gumercindo do Senar.

A vontade de conhecer Ibiúna não parou nos pontos turísticos que estão no Mapa, eu queria mais, queria redescobrir minha cidade, relembrar das suas histórias, culturas, artes, valorizar e dar visibilidade aos serviços e produtos locais. Com isso tudo, potencializar uma fala positiva das nossas riquezas em todo seu sentido.

Por isso, sempre finalizo as postagens com as expressões #ÉDEIBIÚNA #ORGULHO.

Por que preferiu manter o anonimato da autoria dessa página?

Porque a minha ideia era dar destaque para a cidade. O anonimato gerou várias especulações até engraçadas. Até que chegou uma hora que não dava mais pra se manter no anonimato. Após ser convidada pelo Sandro, secretário de Turismo da época, para falar sobre a página no Fórum de Turismo da Cidade, o anonimato deixou de existir. Para ser bem precisa, lembro com carinho quando o jornalista Carlos Rossini publicou a matéria na Revista Vitrine – http://revistavitrineibiuna.com.br/?p=16363 com o seguinte título “REGIANI GOES SAI DO ANONIMATO E CONTA COMO NASCEU ‘CONHECENDO IBIÚNA’”.

Foi ali que percebi que não era mais possível manter o anonimato. Sair do anonimato também acabou gerando mais credibilidade e algumas lendas foram caindo por terra.

Qual sua relação com a Feira da Capelinha?

Tenho o maior carinho pela Feira da Capelinha. Eu vi e acompanhei como ela nasceu e desenvolveu. Sou uma colaboradora voluntária e apoio a Comissão Organizadora da Feira da Capelinha com elaboração dos ofícios, pedido de divulgação junto à imprensa da cidade e apoios em geral, divulgo nas redes sociais.  Aproveito o momento para agradecer o jornalista Carlos Rossini que sempre apoiou e divulgou a Feira da Capelinha.

Fale um pouco de seu trabalho visando promover o turismo, a cultura e apoiar os empreendedores ibiunenses, incluindo artesões, etc. Tem algum sonho em relação a Ibiúna ou em sua vida?

Sempre fiz questão de valorizar o comércio local e também sempre recomendei minha cidade para os meus amigos de São Paulo.

O meu desejo é quebrar aquele jargão de que Ibiúna nada vai pra frente. Nunca gostei dessa frase.

Acredito que o objetivo de “Conhecendo Ibiúna” está sendo alcançado. A sementinha do orgulho de ser e estar em Ibiúna está crescendo, isso é possível observar nas redes sociais o crescimento de páginas com o mesmo propósito, dar destaque e valorizar os locais, serviços e comercio local.

‘Conhecendo Ibiúna’ me permitiu acessar pessoas e projetos incríveis.

Fiquei muito orgulhosa com esse reconhecimento.

Como eu disse outro dia, quero conhecer/reconhecer nossa Ibiúna na sua integralidade, quero explorar sua geografia, sua história, sua cultura,  suas lendas, sua arte, enfim,  tudo.

Quero poder despertar o orgulho de ser ibiunense naquelas pessoas que têm esse sentimento adormecido dentro si.

Foi um presente de Deus para mim a ideia de criar essa página para dividir com vocês as minhas histórias em Ibiúna. Amo Ibiúna!

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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