TRANSTORNOS MENTAIS – CAPS REFLETE O LADO B DA SOCIEDADE IBIUNENSE

Lado B era o lado dos discos de vinil em que se gravavam as músicas supostamente com menor potencial de sucesso, mas com o passar do tempo lhe foi acrescentado também o significado de obscuro, que não chama a atenção ou se torna invisível.

Os Centros de Atenção Psicossocial Adultos e Infanto-Juvenil de Ibiúna (CAPS E CAPSIJ) atendem todos os dias um considerável número de pacientes, entre crianças, adolescentes e adultos, em endereços diferentes no centro da cidade.

Desde sua instalação em 2013 já refletia a condição dos problemas de ordem psiquiátrica observados no município com mais de noventa bairros.

Naquele momento havia nada menos do que nove mil cidadãos com algum tipo de transtorno mental, algo em torno de 10% da população existente na época.

“O CAPS atende pacientes com diversos transtornos psiquiátricos, como TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), depressões, ideações suicidas e pessoas VVS – Vítimas de Violência Sexual”, informa a diretora e psicóloga Daniela Lima.

CAUSAS

Lima aponta três fatores relevantes como causalidades desse número expressivo de enfermidades mentais: consanguinidade, isto é, indivíduos cujos pais são parentes, como primos de primeiro grau; pais abusando das próprias filhas; e uso continuado de agrotóxicos que causam alterações neurológicas, como mal de Parkinson.

ATENDIMENTO

Há dois tipos de atendimento no CPAS (Infanto-Juvenil e Adulto), o psiquiátrico propriamente dito em que por meio de consultas o médico ou a médica receita medicamentos de acordo com os diagnósticos de cada paciente e o psicológico, feito por meio de terapias e oficinas de artesanato, desenho e outras atividades.

MAIS MÉDICOS

Atualmente dois médicos dão atendimento psiquiátrico em ambos os centros. O CAPS adulto funciona às quintas-feiras das 8 às 17 horas. Já o CAPSIJ funciona às segundas e terças-feiras das 8 às 17 horas. O atendimento psicológico atende diariamente.

Em janeiro, mês de férias, o CAPS atendeu a 1.662 pacientes, em fevereiro, 2.217, número que revela uma alta demanda por esse serviço que requer cuidados especiais.

Isso faz com que se uma pessoa precisar de atendimento deverá entrar numa fila de espera com agendamento somente para maio deste ano.

A esperança é que, com o recente concurso público feito pela Prefeitura, sejam contratados novos médicos para atender em ambos os CAPS.

ESPECIALIDADE

Recentemente, durante uma audiência pública da Saúde na Câmara Municipal, Daniela Lima foi questionada por um vereador, depois de receber a denúncia de uma paciente, que um dos médicos não era especialista em psiquiatria.

Esse médico acabou sendo afastado por ter escrito em seu cartão ser especialista em psiquiatria sem ter feito a especialização, o que é proibido tanto pelo Conselho Federal de Medicina quanto pelo Conselho Regional de Medicina.

Na realidade não se exige que um médico seja especialista para trabalhar em qualquer ramo da Medicina, podendo exercer seu oficio em sentido pleno nas mais diversas áreas, “desde que se responsabilize por seus atos”.

EM IBIÚNA

Em Ibiúna, atualmente, somente um médico tem o título de especialista em psiquiatria, os demais – são três no momento – estariam dando andamento em cursos para obterem seus respectivos títulos.

Para ser especialista, um médico depois de se graduar na faculdade de medicina ainda deve realizar a residência médica, em que irá adquirir experiência prática por mais ou menos dois anos e estudar uma especialização.

CONTATO

CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Adulto se localiza na Rua Álvaro de Almeida Leme, 271 – Centro. Tel. (15) 3248-3022

CAPSIJ (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil) se localiza na Rua Gabriel Monteiro da Silva, 518 – Centro. Tel. (15)3241-1682

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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