CIENTISTAS PREVEEM CATÁSTROFES NATURAIS CADA VEZ MAIS FREQUENTES

A comoção que tomou conta dos brasileiros e também em boa parte do mundo devido à tragédia provocada pelas fortes chuvas na maior parte do estado do Rio Grande do Sul, com dezenas de mortes de pessoas e de animais, além de desaparecidos, destruição de um número incalculável de casas e inundações jamais vistas, provocou também uma das maiores demonstrações de solidariedade do povo brasileiro.  

Só para mencionar uma situação específica, de um todo dolorido, mais de 180 mil pessoas se encontram desabrigadas na cidade de São Leopoldo. Toda a cidade ficou debaixo da água.

A gigantesca quantidade de água potável, roupas, cobertores, calçados, alimentos não perecíveis, material de higiene pessoal e de limpeza, rações para cachorros coletada no País e levadas para o estado sulino é uma cabal demonstração do espírito de irmandade e solidariedade que existe na alma dos brasileiros.

Há 83 anos, exatamente em 1941, houve outra devastação de grande proporção em Porto Alegre, quando o nível das água do rio Guaiba se elevou para 4m76. Agora, no entanto, no dia 5 deste mês, o Guaiba subiu 5,3m, um recorde histórico, alagando tudo numa extensa faixa.

Imagens comparativas de fotografias feitas pelo satélite da Nasa mostram o antes e o depois das chuvas, dando uma exata da imensidão do alagamento numa escala sem precedentes envolvendo grande parte dos municípios gaúchos.

A arrecadação de doações aos nossos irmãos rio-grandenses prossegue numa demonstração de amor, carinho e afeto diante da dor da morte e das perdas de tudo para um número ainda incerto de famílias.

Levando em conta o que os cientistas especializados estão advertindo e prevendo, será preciso que, não apenas os brasileiros, mas todo o mundo se torne um planeta solidário, porque os efeitos decorrentes do aquecimento da terra serão cada vez mais freqüentes.

Os eventos catastróficos, que segundo eles ocorriam com intervalos mais longos, agora em decorrência das dramáticas mudanças climáticas, como os fenômenos El Niño e La Niña que afetam toda a América do Sul, acontecem em períodos mais curtos.

O cientista climático Carlos Nobre, em uma de suas entrevistas, falou de eventos climáticos extremos, como foi classificada a situação no Rio Grande do Sul.

Nobre informa que esses fenômenos estão ocorrendo em todo o mundo. “Então, não é algo raro que vai acontecer a cada cem anos, não é um fenômeno extremo raríssimo. As mudanças climáticas – devido ao aquecimento global causado por fases do efeito estufa que lançamos na atmosfera – são a razão para que eventos extremos estejam se tornando mais frequentes e batendo recordes.”

Assim, aparentemente, há razões profundas para que todos despertem para a necessidade de respeitar a Natureza e criar mais laços de solidariedade, já que todos estamos no mesmo planeta que é um pontinho azul numa periferia de uma espiral girando em torno de um dos bilhões de sois da Via Láctea.

Além de doar coisas indispensáveis para a vida das pessoas, parece oportuno que todos devem doar amor todo o tempo, e não apenas quando a situação se torna extrema e tão nefasta.

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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