IBIÚNA ELEIÇÕES 2024 – OMISSÕES, ANONIMATOS E INFORMAÇÕES FALSAS

 [Vitrine online, visando a contribuir com o processo eleitoral deste ano no município de Ibiúna, iniciou a publicação de uma série de matérias em prol do voto popular livre e consciente. Voto consciente é aquele que o eleitor decide por si mesmo.]

A fabulosa e genial possibilidade advinda da invenção da internet, universalizando o uso de uma ferramenta em que todos podem se expressar por meio de uma rede invisível ao redor do planeta, vem refletindo a profusa diversidade da natureza humana.

Alguém já disse que a tecnologia se desenvolve num ritmo cada vez mais veloz, enquanto os homens continuam como se estivessem vivendo no passado repetindo hábitos não saudáveis, anti-sociais e desprovidos de moralidade.

Já temos dificuldade de diferenciar a mentira da verdade numa escala jamais vista. Parece haver um conluio coletivo de tolerância com relação à liberdade permissiva de dizer ou escrever qualquer coisa sem o menor senso de responsabilidade.

A sociedade, com enorme contribuição dos homens que ocupam as instituições públicas, também chamados de autoridades, dão continuados exemplos de má conduta, que se desdobra com consequências nefastas para toda a coletividade.

Isto posto, desde já repelimos um argumento corriqueiro de que isso não acontece somente em nossa cidade, mas em todo o país, e que sempre foi e será assim, estamos nos referindo especificamente a uma cidade com cerca de 80 mil habitantes na qual vivemos, aqui e agora.

Observa-se a existência de três fatos que se interligam: as omissões de informações públicas, as postagens nas redes sociais assinadas por nomes apócrifos ou anônimos e as chamadas informações falsas (fake news).

Pronto. É nesse cenário repleto de irresponsabilidades que estão em andamento as movimentações partidárias dos pré-candidatos a prefeito, vice e vereadores em nossa cidade.

Talvez antes das eleições propriamente ditas, seria bacana a realização de um plebiscito. O povo deveria votar SIM ou NÃO para eleger a mentira ou a verdade.

Se a mentira vencesse, então tudo deveria estar liberado e os candidatos mentirosos mais convincentes seriam naturalmente eleitos. Se, ao contrário, a verdade fosse a escolhida pela maioria, então todos aqueles comprometidos com a verdade eleitoral seriam brindados com a vitória.

Então, cabe indagar: o que nós queremos: a mentira ou a verdade? É possível que uma pesquisa com essa questão deveria dar a vitória esmagadora à verdade. Ou não? Mas, como saber quem mente e quem diz a verdade, se os grupos políticos são por natureza manhosos, embora agitem bandeiras da retidão e bons propósitos cívicos?

Na população os reflexos dessa realidade têm implicações comportamentais notáveis. De modo geral, agindo em defesa própria com cautela, procuram não se manifestar abertamente sobre política, sobretudo com declaração explícita de apoio a este ou àquele candidato para não sofrerem futuros constrangimentos.

E no meio dos servidores municipais, que incluem concursados e comissionados, em maior número nas áreas da saúde e da educação? O que temos ouvido em confiança aponta para um medo generalizado que faz com que o silêncio, como diz o ditado francês, seja mantido como ouro para  autoproteção.

Observa-se, nesse cenário, a necessidade de ser discreto e cauteloso, para não sofrerem algum tipo de sanção, considerada por muitos como muito provável, alguns casos já comentados na rede de inter-relações pessoais.

Uma servidora concursada parece ter resumido com propriedade esse sentimento em relação às autoridades de plantão:

“Nós temos que nos tornar invisíveis.”

Isso mesmo, ninguém quer se arriscar a aparecer na linha de visão dos principais protagonistas do poder executivo; afinal logo, logo haverá as eleições e poderá haver mudança, considerada a principal fonte de esperança eleitoral em nossa cidade.

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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