DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA É PREMENTE DESAFIO DA SAÚDE MENTAL
Saber que um número ainda desconhecido, mas expressivo, de pessoas, adolescentes e adultas, está se submetendo a “tratamentos psicológicos” ofertados por uma máquina [inteligência artificial] é, no mínimo, preocupante.
Talvez as pessoas façam essa escolha temerária porque o custo é zero, a disponibilidade 24h, a garantia de sigilo está assegurada.
Mas confiar a vida mental a um sofwere inteligente, ainda que este reúna um espantoso volume de informações em torno das dores da alma humana, com um número imenso de traumas e problemas emocionais, alguns bem graves, pode gerar mais consequências indesejáveis.
Viver é, de fato, um desafio. A gente chega ao mundo na maior surpresa e precisa de muita proteção e cuidados até que possa andar por conta própria, aprender a pensar e seguir um roteiro social como as águas de um rio, adaptando-se e superando continuamente aos obstáculos.
Definitivamente, não existe, ainda, uma máquina que possa substituir a natureza das emoções humanas, assim como não pode nos preencher de amor, atenção e acolhimento como um ser humano sensível, ainda que este também tenha de cuidar de suas próprias aflições.
A pergunta não é nova, mas válida e oportuna: que consequências têm sido observadas como espectro da dependência tecnológica?
A resposta parece ser consensual: “A dependência tecnológica é extremamente preocupante, pois o uso excessivo de telas afeta o desenvolvimento cerebral infantil, causa vícios digitais [como se não bastassem o que já desenvolvemos sem as telas] e piora a saúde mental (ansiedade, depressão) em todas as idades.”
Uma das mais proeminentes consequências do uso excessivo das telas está ligada a crises de ansiedade, depressão, baixa autoestima, insônia e irritabilidade.
A exposição precoce (especialmente antes dos 2 anos) prejudica conexões cerebrais e o amadurecimento cerebral, comprometendo capacidades cognitivas.
Como se não bastasse esse quadro que merece atenção de todos, o dicionário exibe o verbete crucial: nomofobia, o medo de ficar sem celular.
ORIENTAÇÕES
O Ministério da Saúde e organismos estaduais têm divulgado orientações para cuidados, sobretudo com a primeira infância, que é quando se formam as raízes existenciais do adulto. As recomendações são baseadas nos aconselhamentos da SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria:
. menores de 2 anos não devem ser expostos a telas;
. 2 a 5 anos, limite máximo de 1 hora por dia;
. 6 a 10 anos, limite entre 1 e 2 horas por dia.
Em relação aos adolescentes, especialistas alertam para o uso abusivo e a dependência em redes sociais, com ações preventivas em saúde mental que buscam ensinar habilidades de enfrentamento (coping) e promover o equilíbrio emocional.
A restrição de celulares nas escolas, definida pela Lei nº 15.100/2025 (e discussões correlatas) reforça a necessidade de limitar o uso de eletrônicos no ambiente escolar para mitigar riscos ao desenvolvimento, interpretado como dever de proteção do Estado, família e sociedade.
No âmbito das medidas de cuidado no ambiente digital, recomenda-se a ativação de ferramentas de supervisão familiar, restrição de conteúdos e respeito à classificação indicativa, além de monitorar o tempo de uso para evitar o burnout digital em crianças.
Apesar do esforço para enfrentar os efeitos da dependência em todas as faixas etárias, há o reconhecimento de que ainda são necessárias mais iniciativas de saúde pública, especialmente com o aumento da nomofobia e o uso excessivo de jogos.
