CASO DAS ADIs – VEREADOR PEDE URGÊNCIA EM PROJETO; PREFEITURA ANUNCIA ESTUDO

No dia 23 de janeiro de 2023, conforme vitrine online publicou, um grupo de cerca de 60 ADIs – Auxiliares de Desenvolvimento Infantil – ADIS fez um manifesto no Paço Municipal de Ibiúna pleiteando seu direito à equiparação de sua atividade ao magistério.

Esperançosas, foram recebidas no gabinete do prefeito Paulo Sasaki, mas saíram de lá visivelmente frustradas, algumas até mesmo revoltadas.

Ouviram que a Prefeitura estava realizando um estudo do “impacto financeiro” que a medida geraria nos cofres públicos, e que deveriam agendar uma nova reunião.

Ontem (12), o vereador Carlinhos Marques, presidente da Câmara Municipal, por meio de um vídeo, requereu ao  Executivo que enviasse à Câmara, “com urgência”, um projeto de lei visando atender à justa demanda das ADIs.

— O reconhecimento das ADIs como integrantes do magistério é um direito assegurado.

O edil também lembrou a situação financeira da Prefeitura com um “superávit contábil” como nunca visto nos últimos anos.

“JUNTANDO IDEIAS”

Secretário da administração, prefeito (centro) e secretário da Educação, na reunião da comissão

Hoje (13) o prefeito municipal reuniu no gabinete seus assessores diretos, mais o vice-prefeito, e gravou um vídeo, já veiculado nas redes sociais.

O chefe do Executivo ibiunense anunciou que estava reunida “a Comissão de Análise sobre os casos das ADIs. Estamos juntando todas as ideias para achar a melhor solução para as ADIs”.

Disse que estava ouvindo sua equipe para avaliar o impacto da medida nas áreas da segurança financeira e jurídica”.

O atual prefeito concluiu o vídeo divulgado hoje declarando:

“Logo vocês terão conhecimento do nosso resultado final do estudo” [que a comissão está realizando}.

Desde 2021 as profissionais que atuam como ADIs [em 2023, por ocasião da manifestação do Gabinete do ex-prefeito Paulo Sasaki, havia cerca de  150 ADIs trabalhado no município] estão demonstrando preocupação com o fato de não serem atendidas.

O QUE DIZ A LEI

A Lei 15.326, de 6 de janeiro de 2026 garante o enquadramento  funcional desses profissionais no capitulo do magistério, o que, na prática, assegura seus direitos ao piso salarial dos professores, reconhecendo sua função pedagógica na rubrica “cuida e educa”.

ALTA RESPONSABILIDADE

Trabalhar com crianças em creches ou na pré-escola, que é o caso das ADIs, é uma atividade da mais alta responsabilidade, tanto do ponto de vista de atenção quanto de cuidados.

Exige dos profissionais atentividade constante em relação à segurança, higiene e afeto, unindo cuidados básicos com atividades educativas [educar e cuidar].

A atenção de não deixar crianças desacompanhadas, monitorar febres e quedas, higienizar mãos e trocas de fralda, e, simultaneamente, estimular a autonomia e a socialização.

Por tudo isso, que é uma tarefa complexa e que exige conhecimentos especializados, esses profissionais são inquestionavelmente merecedores de receberem os benefícios e direitos como integrantes do corpo do magistério, como determina a Lei Federal 15.326, de 6 de janeiro de 2026.

Na realidade, há anos as ADIs vem lutando por esses direitos em Ibiúna e já deveriam estar recebendo por eles.

‘FELIZ COM O PREFEITO”

Marques se disse feliz pelo prefeito estar demonstrando “preocupação” com o caso

Vitrine online indagou ao vereador Carlinhos Marques o que achava da reação do prefeito a sua manifestação, primeiro da tribuna da Câmara no dia 3 e ontem (12) por meio de um vídeo em que requer mais agilidade do chefe do Executivo na condução desse assunto, que considera “urgente”.  

Veja a declaração do vereador, atual presidente da Câmara, na íntegra:

“Primeiro, gostaria de dizer que fico feliz porque o prefeito tem demonstrado preocupação com a demanda, que é legitima e legal.

Estou desde o ano passado acompanhando essa reivindicação das Auxiliares de Desenvolvimento Infantil (ADIs).

Fizemos novamente a cobrança por meio de uma indicação, no último dia 3 de março, porque a Lei nacional que reconhece as ADIs como professoras, com o enquadramento no Piso Nacional do Magistério, foi aprovada no fim do ano passado pelo Congresso Nacional e sancionada no início de janeiro pelo presidente da República.

Continuarei na luta até que a categoria seja, finalmente, reconhecida em Ibiúna também, com todos os benefícios e direitos previstos na Lei Federal.”

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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