IBIÚNA – LICITAÇÃO DA SAÚDE REQUER MAIS TRANSPARÊNCIA
Tradicionalmente, os governantes de Ibiúna são avarentos no que diz respeito a informar bem a população.
Preferem, em vez disso, disparar vídeos mostrando notícias auspiciosas sobre seus feitos relacionados a acontecimentos futuros, ainda que possam nem acontecer, como é o caso do famigerado teatro municipal do Alto da Figueira, envolto numa aura de mistério.
Quando percebem que seu prestígio está na berlinda, se apressam a falar de coisas que todos sabem, como a péssima situação das estradas municipais, e fazer um rosário de promessas de coisas boas que vão acontecer.
Sabemos que é difícil ser eficiente em ações para uma situação complexa envolvendo um município com mais de mil quilômetros quadrados, a população espalhada por dezenas de bairros afastados e a crônica ineficiência na prestação de serviços à população, especialmente na área da saúde, o mais grave entre todos os problemas que desafiam a sociedade ibiunense.
AUTOPROMOÇÃO
A prefeitura tem insistido em promover seu serviço de divulgação oficial, convidando o povo a segui-la por esse meio, mas se esquece da importância de respeitar o jornalismo independente que, por não ter o rabo preso com as autoridades, é potencialmente um contraponto importante e saudável.
Ora, despejar sobre a população apenas notícias auspiciosas, não é exatamente o que importa do ponto de vista do direito à informação que todos os cidadãos têm para orientar seus comportamentos sociais relacionados à gestão da cidade.
Acabamos de ver o prefeito de Piedade dizer que, em vez de gastar dinheiro contratando shows com artistas famosos para a festa de aniversário da cidade e, por isso mais custosos, decidiu prestigiar as pratas da casa.
O mais importante é o destino dado aos recursos economizados: compra de uma máquina para melhorar as condições das estradas e para implantação de câmeras de reconhecimento facial para melhorar as condições de segurança na cidade.
LICITAÇÃO DO HMI
Vitrine online teve que se virar nos trinta para poder divulgar [e o fez com exclusividade], como veículo de imprensa, o resultado da licitação para contratar organização para gerir o Hospital Municipal de Ibiúna, apesar de solicitar informações com antecedência, receber a promessa de retorno, e aguardar o prometido em vão, mais uma vez.
A notícia foi divulgada como fato relevante porque a saúde pública, insistimos, continua sendo o problema número 1 do município. Basta ver as manifestações populares nas redes sociais.
Isso mostra como as autoridades se enganam ao quererem aparentemente manter o monopólio no controle das informações consumidas pelo público.
Em vez disso deveriam prospectar cientificamente como estão sendo avaliadas pela opinião pública, embora haja sinais evidentes de que estejam cientes da realidade que transborda das conversas com cidadãos e cidadãs, onde quer que estejam.
Uma licitação tão importante deveria ser objeto da mais elementar clareza porque excede a medida do compartimento em que pretendem mantê-la. E transparência não é o forte dos nossos tradicionais governantes. (C.R.)
