FELIZ 169 ANOS IBIÚNA! – EIS MEU PRESENTE PARA NOSSA QUERIDA CIDADE

Nesta terça-feira (24) Ibiúna comemora seu 169º aniversário e permito-me revelar o presente que vinha guardando em segredo para oferecer nessa data tão importante.

Antes, porém, como deixou claro na TVUNA o historiador José Gomes Linense, reitero que essa comemoração se refere à elevação da antiga Freguesia de Una à categoria de município.

A palavra município tem origem latina e significa ‘cidade com leis próprias e cujos habitantes assumem seus deveres com a comunidade’.

De modo mais simples, isso significa que os próprios cidadãos assumem a obrigação de se governarem. Chique, né?

Estamos longe do tempo em que a palavra foi criada e obviamente ganhou novos significados até chegarmos aos dias de hoje, com seus prós e contras.

Como se sabe, os humanos pensam de maneiras diferentes uns dos outros e nem sempre o significado original da palavra confere com a realidade, isto é, a maneira de ver deveres pode variar infinitamente.

Por isso, na sociedade moderna é frequente ocorrer uma disfunção de princípios éticos e morais, o que se revela por meio de comportamentos distorcidos em relação aos fatos políticos dentro da arte de governar.

Como há interesses divergentes na sociedade, a arte de governar é um desafio constante, o que naturalmente dificulta o exercício do poder pela busca do bem comum.

Exatamente por isso, exige de todos aqueles que ousam assumir funções públicas um senso de sábia diplomacia para lidar com sins, talvezes e nãos.

Exatamente por isso, também, é preciso que de tempos em tempos haja uma reflexão crítica com o objetivo de se encontrar novas formas de ver a realidade, pois a tradição política habitual, por si só, constitui um grande e resistente desafio.

Como se sabe o processo de mudança no mundo não para.

Enfim, meu presente para os 169 anos de Ibiúna é um novo softwere político, ainda que antes não houvesse nenhum com esse propósito, porque as coisas foram acontecendo pura e simplesmente, com algumas tímidas tentativas de furar a bolha da tradição.

Já houve até quem quisesse governar a prefeitura como se fosse uma empresa, cujo propósito é gerar lucro, diferente do escopo de prestar serviços de qualidade à população

Mas o que isso significa? Significa construir um novo conjunto de instruções político-administrativas para orientar condutas, tomar decisões corajosas e adotar medidas em consonância e harmonia com a comunidade.

A repetição de hábitos já não se sustenta num mundo traçado pela complexa velocidade dos acontecimentos, daí o notável descompasso entre os anseios da sociedade e a competência dos gestores públicos.

Em suma, os partícipes dos poderes Executivo e Legislativo precisam dar um salto quântico para ajudarem a criar uma nova maneira de enfrentar os desafios, sem se tornarem reféns de velhos e carcomidos hábitos que dão a falsa sensação de segurança.

Reiteramos aqui nossa tese de que um dos dispositivos fundamentais para que possa haver um novo softwere político em nossa cidade é a instauração de uma política de transparência pública como nunca existiu. Fora isso, somente teremos mais do mesmo. (Carlos Rossini é jornalista)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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