ESTOU BEM VELINHO! NESTA TERÇA, COMPLETO 169 ANOS!

Estou bem velhinho! Nesta terça-feira, dia 24, completo 169 anos, junto com o aniversário da minha cidade, Ibiúna.

E busco um significado para essa idade tão longeva. E o que descubro é que sou adulto e responsável pelos meus atos. Só desse modo posso me sentir um cidadão no pleno exercício dos meus direitos e deveres.

Então, tento refletir e compartilhar com você algumas premissas, talvez interessantes e oportunas, que dizem respeito àquilo que se enquadra na definição de um ser maduro e responsável.

Ser maduro e responsável é, antes de tudo, pensar por conta própria e não ser levado pelos que os outros, especialmente esses seres encantadores chamados políticos, dizem como devemos pensar e fazer.

E isso já é um ato de consciência imprescindível para que a cidade – o conjunto de cidadãos – possa determinar seu próprio destino, sem ficar sujeita aos humores e caprichos de indivíduos que, em vez de servir à comunidade, pensam apenas em seus próprios interesses e vaidades.

Se da altura dos meus 169 anos, eu conseguir essa autonomia, certamente serei mais competente para delegar meu poder eleitoral a pessoas mais adequadas para os cargos públicos. Isto  é um passo importante para que haja mais  congruência entre o que se diz e o que  se faz na realidade.

Quando uso a imaginação para fazer um retrospecto histórico da minha cidade, vejo claramente que as atitudes dos políticos se repetem no mesmo diapasão e isso se reflete naquilo que muitas pessoas classificam de “nada muda” e “sempre foi assim”, o que é notório em relação à maioria dos fatos observáveis.

Todos os anos, como se fossem fenômenos eternos, quando chove as estradas ficam intransitáveis, os produtores rurais se queixam de que não podem transportar suas mercadorias; o sistema de saúde, um problema crônico, sempre está na berlinda das dramáticas queixas da população; a segurança pública da mesma forma é constante alvo de menção como sensação de insegurança, devido obviamente aos fatos criminais; a situação das escolas igualmente está sempre pendente por precarização das instalações; a iluminação pública é motivo de reclamações constantes; o acúmulo de lixo, sobretudo nas estradas, então, produz monumentos nada atraentes do ponto de vista turístico e ambiental; o próprio meio ambiente, veja o dramático caso da represa Itupararanga, é um enorme desafio, por receber ininterruptamente águas dos seus córregos e rios poluídos por esgoto in natura; é preciso lembrar o quanto o transporte público precisa ser melhorado, assim como muitos pontos ônibus precários nas estradas, que também funcionam como abrigo.

Tá bom! Esse problema é gigantesco e não o estamos atribuindo especificamente nenhum governante, embora todos sejam ou devam ser solidários nas responsabilidades, porque sempre nos apresentam promessas nas quais acreditamos para, corriqueiramente, nos decepcionarmos porque não são cumpridas. A redundância das reclamações ratificam esse argumento.

Por isso, ao completar meus 169 anos, me pergunto por que não consigo me libertar desse padrão que observo na gestão política e administrativa da cidade? Por que não ocorre uma virada espetacular e a cidade, enfim, encontre o caminho do progresso no melhor sentido do termo: uma cidade em que a vida humana esteja em primeiro lugar e o ambiente natural seja respeitado como algo sagrado, como de fato é.

Tudo bem que haja festa, comemoração! Afinal, aniversários foram inventados para isso; mas que se tenha em mente e não se perca de vista o que é prioridade permanente: cuidar com zelo consequente o dia a dia das necessidades da população. (Carlos Rossini é jornalista)    

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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