IBIÚNA: NA FESTA, PREFEITO ANUNCIA VIRADA HISTÓRICA EM 2026

Seria desnecesário falar de uma festa, que celebrou os 169 anos do município de Ibiúna, depois de ela ter se passado.

O que parece razoável e oportuno é supor: tomara que ela tenha proporcionado alguns momentos de alegria e distração para todos aqueles que compareceram à Área de Lazer 1, onde aconteceram os  espetáculos musicais!

Afinal, a população é tão carente de diversão, tão escassa na cidade, que nos momentos de datas comemorativas, quando artistas se apresentam, formam-se multidões animadas com os shows.

E, claro, os políticos sempre aproveitam essas ocasiões para tentar puxar algum prestígio para si porque, afinal, a festa pressupõe a existência de um estado de perfeita normalidade.

 Os problemas reais, pelo menos em algumas horas, se tornam invisíveis e temporariamente esquecidos. Ninguém quer parecer maçante!

Mas, para os cidadãos mais atentos, houve uma importante declaração do atual prefeito, em uma de suas eufóricas manifestações nas transmissões ao vivo do evento. Ele afirmou:

— Este é o ano em que a gente vai virar a história da cidade.

Aleluia! É isso que o povo vem esperando há quinze meses!

Está certo o chefe do Executivo: o município está mesmo precisando de uma virada! E nisso, aparentemente, estamos todos de acordo!

Esta página, que insiste em praticar o jornalismo profissional em Ibiúna, vem batendo nessa tecla já faz tempo. E, acreditem, procurando sinceramente contribuir para que as autoridades cumpram com as suas funções de modo claro e convincente.

A população está cansada de observar a atuação de políticos que são extremamente normais e, por isso mesmo, não conseguem produzir ações extraordinárias, imprescindíveis para que a máquina pública funcione a contento em face das  notáveis expectativas.

Hoje vamos ficar apenas no que é considerado um consenso: a saúde pública como o mais decisivo desafio ao gestor público.

Estamos na expectativa realmente de uma virada, excelência!

Uma virada que, não demore muito, e proporcione um sistema de saúde mais eficiente tanto no ambiente hospitalar quanto no setor de especialidades e da rede básica.

Sabemos que houve uma licitação para a gestão do hospital municipal. O nome da organização vencedora já foi anunciado.

Um bom começo, se não houve nenhuma contestação legal do resultado da licitação [não temos informação sobre esse aspecto], é mais que oportuno que o Executivo esclareça a população sobre o andamento desse processo, do ponto de vista de procedimentos práticos.

Qual é, afinal, o grande plano elaborado neste governo para a área da saúde? Como ele será levado à prática? Como ficará a rede básica, que não foi objeto de licitação?

Acreditamos que virada, para um bom começo de conversa, é isso: agir com transparência em relação aos assuntos de interesse público. Mesmo porque tudo que fica intramuros na realidade nem existe para a opinião pública; ao mesmo tempo em que abre um vasto espaço para especulações exatamente por falta de informações inquestionáveis. (Carlos Rossini é jornalista)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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