PAPO CABEÇA – AS PALAVRAS E O POVO IBIUNENSE
PARTE 1 – Escrevi um livro “Para que servem as palavras” [ainda inédito] e tenho me lembrado cada vez mais dessa obra por conta dos acontecimentos que tenho observado na condição de jornalista.
Antes de prosseguir, preciso fazer a ressalva que não me atrevi a fazer o trabalho de um linguista ou filólogo, porque essa tarefa não fez parte do meu propósito.
Meu objetivo original era contribuir, de alguma forma, para que as pessoas tomassem conhecimento da importância das palavras e, consequentemente, da linguagem para compreenderem o mundo em que vivem.
As palavras são os alicerces dos nossos pensamentos e, consequentemente, fazem parte da estrutura dos nossos comportamentos sociais.
O livro, portanto, tem um traço de simplicidade da primeira à última página para que seja entendido e útil para todas as pessoas, em todos os níveis culturais, desde que tenham sido alfabetizadas e sejam curiosas.
Gostaria que um dia fosse adotado nas escolas, a fim de despertar em crianças, adolescentes, jovens, e adultos [no caso da EJA] enfim, o amor pelas palavras pelo que elas significam para o nosso dia a dia.
Feitos esses reparos, creio ser indispensável dizer que, naturalmente, desemboquei no grande estuário da etimologia, que é o estudo da origem e da evolução das palavras.
Bem resumidinho, etimologia é a chave que abre o original e verdadeiro sentido de uma palavra.
PARTE 2 – Agora damos um passo adiante, com dois exemplos práticos e necessários para o objetivo desta conversa. Evoco o significado de duas palavras: DIGNO E HONRA.
Ambas têm um caráter com notável similaridade. DIGNO quer dizer respeito, e extensamente, merecedor de respeito. HONRA também significa respeito, com um leve toque em valor que, por sua vez, reforça a questão da importância.
Então fique sabendo que você importa, e muito!
Estamos falando de que, em princípio, todas as pessoas são dignas e merecedoras de respeito e, somente essa frase, já liquida com a questão do preconceito que tanto aflige nossa sociedade.
PARTE 3 – Então, subindo mais um degrau, podemos concluir que tudo aquilo que impede que possamos viver com dignidade deve provocar em nós, coerentemente, um sentimento de indignação, que é uma forma saudável de reagir às provocações que nos atingem no dia a dia.
Indignação é considerada uma raiva ética ou o desprezo que sentimos diante de uma injustiça ou ação vergonhosa, ou seja: algo que não merece respeito ou que viola a dignidade.
Esse sentimento jamais deve ser interpretado como um estado emocional doentio, porque não é. Ao contrário, é necessário até mesmo para que as pessoas mantenham sanidade mental, porque seus direitos fundamentais estão sendo violados.
Vamos chamar isso de direito de indignar-se diante das injustiças.
PARTE 4 – Ouvi de uma ibiunense nata que a nação ibiunense revela sua indignação contra os desaforos provocados pelos políticos a cada quatro anos, quando deposita seus votos na urna e diz não àqueles cujas ações desaprovou.
Mas, cá entre nós, será esse um procedimento sensato? Passar quatro anos assistindo aos acontecimentos e engolir em seco por supostamente entender que as coisas sempre foram assim e não podem ser mudadas? Quando vão perceber que a única realidade é que estará quatro anos mais velha?
Veja bem, você precisa viver com dignidade, por ser merecedor de respeito todos os dias de sua vida que não dá salto de quatro em quatro anos porque, a realidade é aqui e agora e quem sente dor tem pressa. A dor acontece agora e precisa ser enfrentada neste momento e não somente depois que o bonde da história passou para sempre.
PARTE 5 – Estas palavras foram criadas mediante a observação dos acontecimentos que estamos observando em nossa cidade, o mais recente deles a súbita e inaceitável redução do numero de ônibus, de itinerários e de horários que vem afetando absurdamente a vida de toda a população que precisa ir às escolas, ao trabalho, ao médico, às compras.
Claro, existem outras questões [que temos abordado] não menos importantes, que se enquadram no mesmo contexto e que deixam ao menos um cidadão com o sentimento de estar diante de um cenário sensaborão.
PARTE FINAL – Tenho consciência de que escrevo para poucos, porque a maioria anda muito atribulada com outros assuntos mais importantes relacionados com a sobrevivência imediata aos quais dão atenção prioritária.
Mas, já haverá motivo de júbilo se ao menos mais um personagem sentir-se motivado a pensar neste assunto e despertar para uma nova [e diferente] maneira de encarar a realidade. Desse modo, saberei que não estou sozinho diante dos fatos que podem nos incomodar como seres humanos. (Carlos Rossini é jornalista, diretor da TVUNA e editor de vitrine online)
P.S.: Dedico estas linhas a todos os professores de Ibiúna.
