DEPOIS DO GRANIZO – “O QUE VAI SER DE NÓIS, AGORA?”
A forte chuva de granizo que caiu na tarde deste sábado (18) sobre o município de Ibiúna causou sérios danos: 1. mais de 100 residências no bairro do Paruru tiveram seus telhados de Brasilit danificados pelas pedras de gelo; 2. plantações de hortaliças foram destruídas, em algumas houve perda total da produção.
Felizmente, não houve nenhuma pessoa ferida e tampouco pessoas precisaram se proteger na creche do bairro inaugurada recentemente e colocada à disposição pela prefeitura como abrigo emergencial.
A prefeitura escalou equipes de vários setores que se deslocaram para o bairro e trabalharam durante a madrugada para dar assistência aos moradores das casas atingidas, levando cobertores, cestas básicas, lonas para tapar os telhados, cobertores, kit de higiene.
O presidente da Cetril, Nélio Leite, disse a vitrine online que “graças a Deus a rede” de energia elétrica da empresa não foi afetada pela forte chuva de pedras.
“O QUE SERÁ DE NÓS?”



“O que será de nóis, agora?” – perguntou um produtor no bairro dos Dias que viu toda a sua produção de alface crespa e americana completamente destruída. “Tudo o que trabalhamos durante meses se desfez em segundos”, disse a irmã do produtor.
A força do vento e da queda do granizo danificou também a rede de irrigação e o depósito de adubos cujos sacos ficaram molhados. “Perdi minha roça inteira”, lamentou.
Vitrine online perguntou ao agricultor o que ele espera das autoridades governamentais, a fim de que possa se recuperar e começar de novo do zero. Ele declarou:
— A gente precisa que o governo crie um plano de custeio emergencial que nos ofereça um crédito de dois anos, com juros baixos. Só assim poderemos plantar de novo.
A propósito, neste domingo (19), a Secretaria da Agricultura Municipal divulgou uma nota oficial em que, coincidentemente, informa que a prefeitura já está realizando o levantamento dos danos e que fará uma articulação com órgãos dos governo estadual e federal para “viabilizar o apoio neste momento”.
A nota pede que os produtores que tiveram perdas que entrem em contato pelo WhatsApp (15) 3241-2410, enviando, se possível, fotos e vídeos dos danos em suas propriedades.


VOLUNTÁRIOS
A presidente do Fundo Social, Roberta Castanho, que esteve no local e se instalou em uma das casas atingidas pelo granizo, informou que a prefeitura levou o que dispunha no momento [cobertores, cestas básicas, lonas, kits de higiene] para dar atendimento emergencial.
Informou ainda que a municipalidade pedirá ajuda humanitária ao governo estadual para contar com mais recursos para amparar centenas de pessoas que sofreram com os danos causados pela chuva de pedras.
A primeira dama do município fez um chamamento de voluntários, moradores ou não no bairro do Paruru, para que se inscrevam para ajudar a colocar lonas nos telhados que sofreram perfurações e, posteriormente, para substituir as peças de brasilit por uma telha mais resistente.
O trabalho da equipe da prefeitura foi intenso durante todas as últimas horas.
TELHADOS FRÁGEIS
Em um comunicado, o secretário da Segurança do Município, Erik Silva, informou que mais de 100 casas sofreram danos em seus telhados Brasilit, que segundo apuramos deverão ser substituídos por telhas Eternit.
A principal difetença entre telhas Brasilit e Eternit está na tecnologia de fabricação que usa um sistema visando repelir a água das chuvas, enquanto a característica da Eternit é a resistência. As telhas, no entanto, são fabricadas com fibrocimento (sem amianto).
VENDAVAL AVASSALADOR
O maior vendaval com chuva de granizo ocorreu em Ibiúna em 1846. A força da intempérie foi tão intensa que danificou seriamente a torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, quando o prédio da igreja teve que passar por uma reforma, lembra o historiador José Gomes Linense.
Árvores, pontes, casas comerciais e residências também sofreram danos. Ao lado da igreja, seis homens não conseguiram fechar a porta de uma casa por conta do vendaval.
Coincidentemente em um abril, no dia 2 de abril de 2016, houve um temporal severo com granizo em Ibiúna, tendo havido lugares em que o acúmulo de pedras chegou a 30 cm. Também provocou grandes prejuízos à agricultura e bloqueou estradas.
Segundo apuramos, devido à altitude de Ibiúna, em torno de 996 metros do nível do mar, isso a torna propensa a episódios de temporais de granizo.
