CRONISTA DA CIDADE – ENFIM, SABADOU!

Acordei hoje bem cedo, antes do alvor. Queria pegar o Sol desprevenido, porque é ele que sempre me surpreende. Sua luz vai aparecendo devagarinho, despachando a escuridão para outro lado do mundo, que a gente nem percebe.

Fiquei à espreita, no silêncio, para testemunhar a aparição dos primeiros raios a se esbaterem e revelarem formas e cores das nuvens.

E assim foi indo. O que era sombra foi se transformando em luz. As árvores com seus galhos foram transparecendo como acontece há bilhões de anos, com uma fidelidade espantosa!

Então, e mais uma vez, entendi que o Homem jamais saberá o que é isso que vê e cujas causas não aparecem atrás desse fenômeno espantosamente maravilhoso.

Saí do devaneio e, de repente, lembrei-me de que hoje é sábado, véspera do Dia das Mães, e desde já envio um abraço carinhoso e afetivo a todas elas e, ao mesmo tempo, me coloco solidário lado a lado dos filhos de todas as idades cujas mães já não estão mais entre nós.

Lembrei-me da poesia de Vinícius de Moraes, Porque hoje é sábado, que não reproduzo aqui para não virar o estômago de ninguém, e também porque depois de uma semana de trabalho, todo mundo merece curtir e relaxar numa boa!

Então, já que sabadou, que tal ler um bom livro, escutar uma música, dar uma caminhada, se divertir e se preparar para o Dia das Mães, essas personagens que, mesmo que o mundo possa estar próximo de acabar por estar na rota de colisão de um meteoro gigantesco, querem proteger seus filhos.

No meu caso, decidi hoje andar pelas ruas centrais da cidade, olhar as pessoas, as lojas, entrar na Igreja de Nossa Senhora das Dores, fazer uns pedidinhos de graças para todo o mundo, porque, afinal, ainda que haja quem não dê importância a essa realidade, somos todos vizinhos e, habitualmente, nos encontramos aqui e ali. Por que não ser gentil e atencioso com os outros?

CRONISTA DA CIDADE

Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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