IBIÚNA – APÓS 1,5 ANO, GOVERNO MUNICIPAL NÃO CUMPRE PROMESSAS DE MUDANÇAS

Por Carlinhos Marques (*)

“Insanidade é você fazer sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes.”

A famosa frase, atribuída a Albert Einsten, se encaixa no comportamento ao atual governo (Poder Executivo) de Ibiúna.

Falou-se e ainda se fala em mudanças, gestão diferenciada, entre outros adjetivos, para ludibriar a população sobre uma suposta alteração no modelo administrativo que ainda não aconteceu, passados 1,5 ano de gestão.

Para demonstrar a continuidade, basta lembrar que os principais prestadores de serviços da atual gestão são os mesmos de gestões passadas. Contratos altos, que consomem a maior parte do orçamento do município, não sofreram qualquer choque de gestão. Pelo contrário, são renovados com valores ainda maiores.

Brastec (coleta de lixo e limpeza urbana), Jaguar (transporte escolar), Mu transportes (transporte de pacientes), Raposo Tavares (transporte coletivo), ZM Transportes (aluguel de caçambas), Med Life (gestão das unidades básicas de saúde), G4 Soluções em Gestão da Informação (digitalização de documentos e sistemas), entre outros.

Essas empresas continuam consumindo parte significativa do orçamento público sem qualquer tipo de auditoria ou reorganização administrativa, que são necessárias, a fim de que existam os recursos para ampliar e melhorar os serviços de saúde, da educação, a manutenção das estradas, os investimentos em segurança, entre outros. 

É evidente que, em contratação pública, o princípio da moralidade, legalidade e impessoalidade deve prevalecer; posto isso, o gestor não pode colocar quem ele quer como prestador de serviços. Existem as licitações e os contratos; mas, quando os contratos findam o período anual e são renovados por mais 12 meses, subtende-se que o gestor concorda com o serviço prestado e valores pagos.

Não se pode generalizar que todos os prestadores mencionados são prejudiciais ao município ou que os preços estão elevados. Mas é de se admirar que, por exemplo, na rede básica de saúde, a organização Med Life.

Contratada na gestão passada, continua gerenciando os postos de saúde, por quase R$ 700 mil mensais, com serviço ineficiente, vários relatos de funcionários com férias vencidas, FGTS não recolhidos, prestação de contas que não consta na página da internet da organização, entre outros indícios graves de irregularidades sem nada ser feito.

A má prestação de serviços nos postos, devido à falta de suporte, acaba por afogar o atendimento no Pronto Socorro Municipal, que deveria ser apenas de urgência e emergência. 

O vereador Lucas Pires apresentou, com a minha assinatura e apoio, um requerimento solicitando informações sobre esse contrato. Também estamos em busca de assinaturas para abrirmos uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigarmos a fundo esse contrato que, pelo que acompanhamos, é tremendamente danoso ao município.  

Esse é um exemplo de que não dá para falar de mudança se ela não for prática. Por ora, o que mudou foram os personagens de um roteiro de que a cidade está cansada. Continuaremos acompanhando e fiscalizando!

(*) Carlinhos Marques é presidente da Câmara Municipal de Ibiúna, economista, publicitário e jornalista. É especialista em gestão pública e estudante de Direito.

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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