CRONISTA DA CIDADE – FALTA POESIA EM NOSSA POLÍTICA

A política tradicional em Ibiúna não tem poesia, pelo menos aparentemente. Já explico o significado disso.

Por enquanto, preciso dizer que ela tende ao malogro, entra governo, sai governo, às vezes por escassez de sensibilidade.  

O que vocês estão observando neste momento sobre as coisas que andam acontecendo em nossa cidade?

Claro, tudo pode mudar pra melhor e isso se chama esperança, mas não é dela que temos vivido há décadas como se nada mudasse na realidade?

É isso que tenho ouvido da multidão anônima e arrependida de algo de que talvez nem possa ser culpada por acreditar em promessas que não se cumprem, não é mesmo?

Ouço professoras, médicos, enfermeiras, comerciantes, gente do povo, trabalhadores rurais, servidores públicos, políticos e tantos outros.

O que ouço, com pequenas variações, demonstra um indisfarçável descontentamento com o desempenho objetivo das chamadas autoridades.

Por isso, concluí pela falta da poesia na política local; e preconizo que ela passe a fazer parte da nossa cultura evolucionária. Poesia dá coragem!

A poesia, e não estou falando de criação de versos necessariamente, tem o dom de tornar os homens mais sensíveis e humanos, menos egoístas, ambiciosos e aproveitadores das facilidades advindas do poder.

Como a poesia é a linguagem do sentimento e não da razão, não há espaço para o engodo, a mentira e a falsidades triviais.

Como a poesia é feita de leveza, é um antídoto contra a nossa tendência animalesca. Com ela atuando em nossa mente ativa, naturalmente haverá oportunidade de relacionamentos mais produtivos e confiáveis, diminuindo a influência dos medos tão nefastos para uma vida social saudável.

A poesia que nos falta não fará de nenhum homem menos homem, mas pessoas mais congruentes, conservando a lógica entre o que sentimos, pensamos e fazemos como seres humanos.

CRONISTA DA CIDADE

Carlos Rossini é diretor de TVUNA e editor de vitrine online [deixou de se importar se o que escreve é lido ou não]

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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