IBIÚNA – OLHAR OS CIDADÃOS VULNERÁVEIS É PRECISO
A previsão da chegada do inverno chama a atenção para os personagens em situação vulnerável que se veem nos espaços públicos da nossa cidade, e que constituem uma realidade dolorosa e preocupante ao mesmo tempo.
A opinião publica emite opiniões controversas sobre essa realidade, com pontos de vistas prós e contras, algumas recorrentes: “vêm de fora da cidade”, “não querem sair das ruas”, “são violentos, agressivos, usam drogas”, “sinto pena dessa gente”, “é triste ver isso”, “que dó”, etc.
É oportuno dizer que não devemos encará-los de modo generalista e sim como indivíduos singulares, com histórias e comportamentos singulares.
Com a palavra a Secretaria de Assistência Social, braço da administração pública encarregado de lidar com indivíduos que necessitam de acolhimento, segurança alimentar e reinserção social, garantido pelo Estado.
Ainda que saibamos quão espinhoso e complexo é encarar esse problema, é preciso fazê-lo.
Eles estão nas ruas, praças, no interior e entorno do terminal rodoviário, nos estacionamentos dos supermercados. São seres viventes, como todos nós, só que diferentes por conta de suas peculiares condições psicossociais. Alguns, infelizmente, são vistos caídos em calçadas, como se isso fosse um fato normal.
Não se sabe exatamente quantos somam. Mas incluem homens e mulheres em situação de rua, desempregados crônicos e pessoas extremamente carentes.
Há os que carregam uma embalagem contendo doces, que oferecem para fazer alguns trocados – sabe-se lá quanto!; os que pedem dinheiro para comprar marmitex ou um lanche; aqueles que surgem de repente a qualquer hora do dia no estacionamento de supermercados e pedem às vezes um simples pão. Surgem de repente.
Um especialista em segurança pública, que atua na cidade, informa que há aqueles que trocam imediatamente o que conseguem com doação por dinheiro para aquisição de drogas.
Trata-se de uma triste realidade que nos faz sentir impotentes porque, mesmo que se doe o dinheiro para a marmitex ou compartilhe o pão de suas compras, sabe que a questão de fundo não será resolvida, a não ser naquele episódio, talvez.
A questão obviamente não se restringe à questão alimentar.
É claro que há pessoas generosas, sensíveis com a condição humana desses cidadãos precários, que procuram atender aos pedidos de ajuda.
Mas, a dura realidade permanece e faz parte da paisagem cotidiana da cidade. Não se tapa o sol com a peneira.
Um leitor dirá: isso acontece em todas as cidades.
É verdade! A pobreza é uma realidade em todo mundo.
Mas, e se em nossa cidade começasse a pensar em fazer a diferença? Será isso mera utopia?
O que deveríamos fazer, os poderes públicos e a população, para ao menos reduzir o tamanho desse problema social?
A pergunta então se apresenta: o que fazer?
Levantar dados para diagnosticar a realidade objetiva, os motivos, as origens, abrir um debate envolvendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, respeitando os direitos básicos à vida, podem ser um bom começo para se encontrar uma solução viável, prática e realista.
Não enxergar ou ignorar ou fingir que esse fenômeno não existe em nosso dia a dia é eternizá-lo como uma anomalia social degradante que envolve toda a sociedade.
Afinal, quer queiramos ou não, trata-se de uma questão de segurança [ou insegurança] social. (C.R.)
