TEMPOS ESTRANHOS
Vivemos tempos estranhos.
A natureza está em ebulição com tempestades devastadoras, vulcões enfurecidos, temperaturas escandalosas, terremotos impiedosos.
O homem dos tempos da famigerada IA, à qual delega a sua criatividade natural, se vê impotente diante dessa volubilidade e continua com suas guerras que matam sem sentir culpa, sendo ou não religioso.
As autoridades geradas por Leviatã se mostram incorrigivelmente corruptas, agindo de modo injusto de quem descobriu que a vida é uma só e que não existe outra no além, e por isso, o que importa é tirar o melhor proveito possível da vida, danem-se os outros. É um processo alucinante!
Em nosso país, as instituições dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – refletem os interesses privados e entram em conflito entre si. Vide crise atual no Supremo Tribunal Federal onde um canibalismo está em processo de togas contra togas. Uma vergonha, em torno do “banqueiro” Daniel Vorcaro, que entra para a história como símbolo das entranhas da corrupção e da venalidade, envolvendo bilhões habilidosamente retirados dos recursos destinados aos aposentados.
Os atores no Senado e na Câmara de Deputados, sem nenhum pudor, funcionam, com honrosas exceções, como um sorvedouro de bilhões de reais que poderiam resolver graves problemas na saúde pública ou reduzir a extrema miséria de milhões de brasileiros.
Desde que descobriram que podem mais do que o chefe do Executivo, senadores e deputados se colocaram no cume de uma montanha de poder para submeter o Executivo aos seus caprichos, sempre considerando tirar o melhor proveito particular possível por meio de emendas e orçamentos secretos.
A nação brasileira, neste momento agitada pelas eleições de 4 de outubro, mostra que nada mudou no caráter da conquista ou reconquista (reeleição) do poder, com as mesmas promessas de sempre, com o mesmo modo de seduzir os eleitores incautos (em grande número) para os quais vira as costas tão logo conseguem se eleger.
É vergonhoso constatar que, com as mais fantásticas tecnologias do Terceiro Milênio, continuamos com a mentalidade, às vezes dos tempos feudais, de um lado a minoria privilegiada, de outro, os servos que se apegam e se submetem às “verdades” dos poderosos obedientes e servis.
É assustador observar o que dizem os estudiosos da antropologia humana: que agimos como se fôssemos uma manada e até mesmo com gratidão de termos quem decida para onde devemos ir, pensar e até mesmo sentir. E quem quiser ir contra essa tendência corre o risco de ser sacrificado, não exatamente como acontecia literalmente com a Santa Inquisição, mas, de certa forma, nos sentiríamos condenados à tortura do isolamento. (Carlos Rossini é direitor da TVUNA e editor de vitrine online)
