POR QUE OS CANDIDATOS ESTÃO RINDO PRA GENTE?

A rotatória da avenida Antônio Falci, ao lado da frase “Ibiúna pertence a Jesus”, está repleta de “wind banners” (bandeiras de vento) com o rostos dos candidatos às eleições do próximo dia 4 de outubro.

Com exceção de um sargento da PM, com cara de mau, todos os demais estão sorrindo, como se fossem velhos amigos, conhecidos ou bons sujeitos.

POR QUE SORRIEM

Isso acontece porque o riso ou sorriso é um poderoso recurso psicológico para gerar confiança, conexão e dominância. A neurociência e a psicologia política explicam que o voto é fortemente influenciado por reações emocionais rápidas e subconscientes, e o sorriso ativa mecanismos cerebrais específicos nos eleitores.

Você tinha pensado nisso?

Mas essa estratégia, quase natural, tem bons motivos para ser praticada.

A neurociência indica que quando vemos alguém sorrindo, nosso cérebro ativa os neurônios-espelho, que nos fazem simular internamente aquela mesma emoção.

Além disso, o sorriso do candidato gera um sentimento inconsciente de calor humano e segurança, associando a imagem do político a sensações positivas.

Estudos de psicologia social mostram que pessoas que sorriem são automaticamente percebidas como mais acessíveis, honestas, bondosas e competentes. Ainda que isso possa não corresponder com a realidade fatual.

Veja isso: o sorriso cria um clima de simpatia e faz com que o eleitor presuma que o político possua várias outras qualidades, como boa intenção e capacidade de governar. Ainda que isso possa não se comprovar na prática, é preciso advertir.

Sobretudo em tempos de crise, como a que está sendo vivida no país, depois do imbróglio no STF, o candidato sorridente passa a imagem de que está no controle e é otimista quanto ao futuro, que possa estar sendo visto com pessimismo pelos eleitores.

O sorriso também passa uma sensação de segurança por parte do eleitor.

Por último, mas não menos importante, o riso aproxima o candidato do cidadão comum, fazendo-o parecer “gente como a gente”, tornando-o mais receptivo às propostas e promessas da propaganda. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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