EDITORIAL – A LONGA E SOFRIDA NOVELA DO POVO IBIUNENSE COM TRANSPORTE PÚBLICO
A redução do número de ônibus e de itinerários decretados pela Viação Raposo Tavares e iniciada nesta quarta-feira (16) é apenas um capítulo da interminável e tormentosa novela do transporte público da população ibiunense ao longo das últimas décadas.
Ela lembra uma frase atribuída a Dostoiésvski: “A autoridade só existe se faz [o povo] sofrer.” E poderia [a novela] ser intitulada “Sofrer pouco é bobagem”.
A medida tomada unilateralmente pela empresa com sede em Cotia causou, mais uma vez, uma situação até mesmo desesperadora, sobretudo para munícipes simples que residem em distantes bairros rurais e que dependem exclusivamente do transporte público para se movimentar na cidade.
É verdade que o chefe do Executivo conseguiu uma medida protetiva, uma liminar que obriga a Viação Raposo Tavares a retomar a quantidade de ônibus e de itinerários que estavam circulando antes do dia 16, impondo, caso haja desobediência, multa diária de R$ 10 mil.
Aparentemente, porque hoje (18) o horário ainda continuava o mesmo com a redução da frota, a empresa deverá adotar as providências na segunda-feira, dentro do prazo de 72 horas permitido pelo juiz da Comarca de Ibiúna.

Não é a primeira vez que a viação reduz a frota circulante, como costuma acontecer nos períodos das férias escolares que já virou rotina, para o desespero dos trabalhadores e pessoas que dependem exclusivamente desse meio de transporte que atualmente cobra tarifa de R$ 5,90.
A Viação Raposo Tavares foi contratada em julho de 2019 por um período de 10 anos (válido até 2029) renovável por mais 10 anos.
Desde então, não raro se queixa de que precisa reajustar seus ganhos operacionais para compensar linhas pouco rentáveis, enquanto a população se queixa de maus serviços, poucos horários e frota sucateada. “Só mandam ônibus velho pra cá”, dizem os usuários.
O atual governo disse que encomendou um estudo visando possivelmente fazer algum ajuste, chamado de “reequilíbrio contratual”, em trâmite na Prefeitura.
Tudo indica que com a decisão judicial, a Viação Raposo Tavares retome as linhas que vinham operando antes do dia 16, mesmo, como se vê nas redes sociais, a população considere quantitativamente insatisfatórias.
Vamos manter nosso observatório dos próximos acontecimentos e seus desbramentos, ainda que tanto a empresa quanto a Prefeitura não atendam aos nossos pedidos de informação.
SOFRIMENTO CRÔNICO
O autor deste texto foi o jornalista que mais tem acompanhado os problemas gerados por um crônico mau serviço de transporte público oferecido à população.
Quem tiver a curiosidade de saber o histórico dos fatos, basta entrar na revista e pesquisar “transporte público em Ibiúna, rodoviária, rua Guarani”.
Pois, bem durante 2 anos, 3 meses e 24 dias, no governo Paulo Sasaki, a população sofreu horrores na Rua Guarani. Esse foi o tempo que durou a famigerada reforma do Terminal Rodoviário.
A população passou todo esse tempo à própria sorte, debaixo de chuva, no frio, sob sol escaldante esperando por um ônibus na rua Guarani que chegou a afundar e ser interditada para que a Sabesp fizesse reforma no local.

Nesse período houve pelo menos o óbito de um homem enquanto aguardava a condução na calçada, diversas pessoas, sobretudo mulheres idosas, tiveram que ser resgatadas e levadas para o hospital por sofrerem desmaio.
Esse terá sido o mais dolorido capítulo nessa novela do transporte público em Ibiúna.
Ironicamente, a rodoviária foi festivamente inaugurada no 167º aniversário da cidade em ano eleitoral e fechada em seguida para reforma.
O AGORA
Parece importante assinalar que está na hora de as autoridades darem um basta a tanto sofrimento evitável a um povo simples e trabalhador.
O fato de a empresa retomar na segunda-feira a operação com a frota circulante de antes do dia 16 não significa que o problema estará resolvido, porque não estará. Basta fazer uma simples e séria pesquisa de satisfação dos usuários para comprovar a necessidade de uma medida resolutiva e não apenas paliativa.
Que a Prefeitura, se for prosseguir e manter o contrato em vigor com a Viação Raposo Tavares, conclua os estudos visando orientar decisões em torno do chamado “reequilíbrio contratual” ou, ao invés, que tome uma decisão firme em prol da população que paga impostos e sustenta a estrutura administrativa da cidade.

