FALTA DE ÔNIBUS – OUÇA A VOZ INDIGNADA DA POPULAÇÃO IBIUNENSE

“O martírio da espera não se limita ao horário da manhã.”

Esta é uma frase do comentário de um trabalhador ibiunense que usa ônibus diariamente. Ele, como milhares de outros munícipes, foi duramente afetado pela redução de mais de 40% das linhas e itinerários feita no dia 16 pela Viação Raposo Tavares.

A palavra martírio reflete a essência do sentimento de impotência e de indignação da população ibiunense.

E, pelo andar da carruagem, a solução desse problema, um fato social relevante e inconstitucional, pode demorar.

A Prefeitura conseguiu duas liminares em que cobra que a empresa cumpra os termos do contrato, voltando à frota e linhas vigentes antes do dia 16, uma delas incluindo uma multa diária de R$ 10.000,00, por não cumprimento da medida judicial; e outra, na sexta-feira, no montante de R$ 30.000,00, já que a Raposo Tavares não deu cumprimento à primeira determinação.

Isso significa que a questão está colocada no plano do judiciário, que segue trâmites que exigem notificação, tempo para a empresa se manifestar e recorrer da sentença.

À ESPERA DA SOLUÇÃO

Enquanto isso, o tempo passa e o cidadão ibiunense – trabalhadores, estudantes, donas de casa – continuam vivendo um martírio diário.

Vitrine online ouviu diversas pessoas na Estação Rodoviária que,   repetidamente, disseram esperar que o prefeito, usando sua liderança e poder representativo, promova uma solução o quanto antes, para por fim a essa situação dramática e injusta, sobretudo considerando a simplicidade dos moradores nos bairros rurais.

LAMENTÁVEL

Dario Pinheiro mora próximo do centro da cidade e trabalha no bairro do Verava. Ele entra no trabalho às 8h. Suas palavras: “Devido a esta mudança repentina no horários, vou ser obrigado  a pegar o ônibus que sai da rodoviária às 5h, isso porque a empresa tirou o horário das 7h30. Ficarei, portanto, aguardando cerca de 2 horas e meia para começar a trabalhar. E o martírio da espera não se limita ao horário da manhã. Vou sair às 13h e aguardar pelo transporte público para retornar ao centro de Ibiúna cerca de 2 horas e meia. O ônibus irá passar no Sara Sara por volta das 16h.”

‘UMA ATITUDE FORTE’

Mary Santos, ao dialogar com Diogo Santana, diz. “Eles [a empresa de ônibus] tiraram onde já era reduzido o número de ônibus. Um único ônibus está fazendo todos os bairros. Prefeito precisa tomar uma atitude mais forte com essa empresa, porque eles não estão nem aí para a multa. Enquanto isso, trabalhador vem sofrendo. Essa situação está insuportável! Descaso total com os trabalhadores. Precisam fazer algo que resolva em definitivo. Por enquanto a situação só ficou no papel.”

‘NÃO RESPEITA O CIDADÃO’

Sérgio de Paula: “Enquanto tem cidades que não cobram passagem, aqui em Ibiúna, eles assaltam a população com o preço e não respeitam o cidadão e os vereadores se escondem, pois não precisam pegar ônibus. As promessas foram feitas quatro anos atrás e nada fizeram. Vamos acordar povo!”

‘ISSO É UM ABSURDO!

Flávio Aparecido Rodrigues: “Bom dia! Mas, além disso [redução dos ônibus] tem a questão da linha do Verava, que ainda continua fazendo a linha do KM 54 também, tanto na ida quanto na volta. Isso é um absurdo…foi apenas uma medida que foi adotada na época da pandemia e até hoje não retornou a linha como era antes.” Rosemeire Santo reage: “Verdade!”

‘A VIAÇÃO NÃO LIGA PRA MULTA’

Mary Santos faz novo comentário: “Os trabalhadores que lutem para ir ao trabalho, porque a viação não liga para multa, não. Ou seja: Vamos continuar na mesma. Nada resolvido!”

‘ALUNOS SOFRENDO’

Maria Aparecida: “Os alunos que moram nos bairros e estudam na Federal continuam sofrendo.”

‘POVO SOFRIDO’

Carmem Araújo: “Pois é! Aí os ônibus já [eram] escassos e ainda reduz mais. É muito sofrimento para quem não tem condução própria. Povo sofrido.”

‘NINGUÉM RESOLVE’

Mônica Aparecida: “Boa noite! Só falam. Até agora nada de voltar os horários de ônibus. A culpa é de um e do outro e ninguém resolve nada, como sempre. E como ficam os trabalhadores e estudantes e as pessoas que também precisam da condução. Estão de brincadeira! Só pode!”

‘FALTA DE RESPEITO COM OS IDOSOS’

Neusa Domingues: “Muita falta de respeito com aqueles que dependem do transporte público, e falta de respeito com os idosos. No dia 17 fiquei 2 horas e meia no ponto de ônibus para ir pra cidade. Desceram cinco ônibus no sentido bairro e não subiu nenhum nesse período para o centro. Infelizmente, aqueles que não usam o transporte público não se preocupam  com os que usam. Pra eles não faz diferença nenhuma.”

‘COBRAR O PREFEITO’

Zeuma Lessa Santos Duarte: “Vamos cobrar o prefeito.”

‘CADÊ AS AUTORIDADES?’

Valdete Florentina: “Cadê as autoridades da cidade, prefeito e vereadores? Estão dormindo ainda?”

‘QUE ABSURDO!’

Ronaldo Américo: “Tem que tirar essa empresa com urgência do município, que absurdo com a população!”

‘CADÊ OS VEREADORES?’

Sérgio de Paula: “Só uma pergunta: cadê os vereadores que foram eleitos? Ah! Esqueci. Eles têm carro, né? E a população que apoiou vários vereadores que estão se elegendo a cada quatro anos, se escondendo, agora. Agora o que tem muito é bandeira de políticos na cidade e vereadores puxando o saco desses (pil…ntra).”

‘TOMAR PROVIDÊNCIA’

Wilson Desidério Alves: “O prefeito tem que tomar providência, porque é ele quem manda na cidade.”

‘ANOS DE DESCASO’

Amélia Schneider: “Ibiúna acordando. Anos e anos de descaso.”

‘AGORA TÁ PIOR’

Antonio Marcos: “Já não tinha ônibus no horário normal; agora tá pior.”

‘UM ABSURDO’

Luiza Paula: “Verdade, isso é um absurdo!”

‘PIOROU DE VEZ’

Eliana Silva Santos: “É uma falta de respeito. Já era uma porcaria, agora piorou de vez…e quem sofre é a população por falta de ônibus. E está prejudicando muita gente para ir trabalhar, os alunos não estão conseguindo ir para a escola ou estão chegando atrasados. É uma vergonha isso…”

‘NUNCA MUDA’

Valdirene Val: “Ibiúna sendo Ibiúna. Nunca muda. Só piora.”

‘NOSSOS DIREITOS’

Michele Nascimento: “Concordo totalmente em lutarmos pelos nossos direitos; afinal, Ibiúna é uma cidade muito rural e precisa de um atendimento de ônibus nos bairros. Não só para estudantes, como trabalhadores e usuários do transporte. A classe trabalhadora depende do transporte e com horários que atendam às necessidades.”

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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