AO HEROICO POVO IBIUNENSE, COM CARINHO!

Os tormentos aos quais foi submetido o povo de Ibiúna desde o dia 16 de setembro, quando a Viação Raposo Tavares decidiu reduzir drasticamente o número de ônibus e de itinerários em circulação no município, merecem ficar consignados como um tempo heroico vivido pela população ibiunense.

Referimos ao povo simples, trabalhador, crédulo, a maioria residente nos muitos bairros rurais, alguns distantes do centro, que não dispõe de meio de transporte próprio.

Heroico porque resistiu às dificuldades a duras penas, tendo apenas como consolo eventual a solidariedade fraterna de outros como ele.

Estamos falando de um grande número de senhoras e senhores idosos, gente de cabelo branco, de pele vincada pelo tempo implacável, gente que, mesmo sofrida, ainda encontra um tempo para sorrir e conservar a esperança, apesar da realidade vivida.

Nós estivemos junto dessas pessoas para ouvi-las de perto, para sentir seus dramas individuais e familiares e perceber suas dores silenciosas de pessoas humildes que sofrem caladas, mas que deveriam ser tratadas com o máximo respeito como seres humanos em seus direitos fundamentais.

O transporte público é assegurado a todos os cidadãos pela Constitituição Federal, sendo obrigação dos governantes manter esse serviço funcionando regularmente e a contento, o que não tem sido o caso ibiunense, como se nota pela imensa quantidade e variedade de reclamações populares.

Foram quinze dias de intensa dramaticidade por, repentinamente, perder a condução a que estava habituado e que permitia realizar as tarefas do dia a dia.

A Justiça considerou a atitude da empresa ilegal. Exigiu que retomasse os horários e itinerários que, mesmo insuficientes, estavam vigorando antes do dia 16 de setembro.

A mobilidade da população determinada por uma escala fixada na parede da rodoviária de difícil percepção para as pessoas idosas

No dia 30, prefeito e direção da Viação Raposo Tavares se reuniram na sede da empresa em Cotia. Depois de horas de conversação não chegaram a um acordo.

A empresa alega prejuízo operacional, a Prefeitura quer que os termos do contrato assinado com a empresa em 2019 sejam cumpridos, assim como as determinações do juiz da Comarca de Ibiúna, que estabeleceu multas diárias, primeiro de R$ 10.000,00, em seguida de R$ 30.000,00 pelo não cumprimento da resolução.

A redução da frota e de itinerários, aparentemente, foi a forma que a empresa encontrou para reduzir custos, já que não pode majorar o valor da tarifa, enquanto a Prefeitura contratou uma empresa de consultoria para fazer um levantamento da situação para futura adoção de alguma medida.

Ainda que não tenha havido acordo e se prevê a necessidade prosseguirem as tratativas, o dia 1º na Estação Rodoviária amanheceu com uma nova tabela de horários de ônibus afixada na parede.

Aparentemente, teria havido uma volta à tabela em vigor antes do dia 16. Algumas pessoas ouvidas chegaram a declarar que as informações não são exatamente idênticas, além do que, ao lado, foi afixada uma tabela especial para vigorar no dia 4, quando  haverá eleições.

Esse fato, e ouvimos muitas pessoas, foi interpretado como o motivo não declarado da colagem da nova tabela de horários e itinerários e narrado como motivo de preocupação de que a empresa pode fazer nova mudança, como fez há quinze dias, para espanto e os amplos problemas relatados. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)

NOTA DA REDAÇÃO: Embora tenhamos insistido contatá-los por meio de mensagens e telefonemas, a fim de podermos esclarecer a população, não tivemos nenhum retorno sobre o assunto, tanto do atual prefeito quando da direção da Viação Raposo Tavares.

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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