Nós já pensamos e agimos como robôs
Diariamente, bilhões de pessoas no planeta, você e eu incluídos, somos influenciados despudoradamente pelas maiores empresas de tecnologia do mundo.
Elas coletam um gigantesco volume de informações sobre nossas vidas, nos invadem e direcionam sutilmente nossos comportamentos, sem nos darmos conta dessa realidade, impulsionadas pela inteligência artificial, a grande e indecifrável esfinge destes novos tempos.
Monopolizam os dados de nossa privacidade e disseminam desinformação, quando isso lhes convém. E parece que nem mesmo existem, um dos seus truques mais ordinários.
Elas usam esses aparelhinhos que carregamos conosco como uma preciosidade para acompanhar todos os nossos passos e pensamentos. Faça uma simples indagação sobre um determinado tema ou uma preocupação individual e verá que passará a receber insistentes informações relacionadas, até você manifestar outro interesse.
Acredite, nós já pensamos e agimos como robôs de modo automático por força dessas influências diretamente ligadas ao controle do mundo pelos poderosos que, coincidentemente, são os seres mais extraordinariamente ricos que dirigem os rumos das nossas vidas, mesmo que moremos numa pequena cidade do interior. Ninguém mais está a salvo desta tecnologia impiedosa, ainda que possa ter seu lado bom.
O maior perigo.
Até mesmo uma eleição, como a que acabamos de ter no Brasil, foi objeto de uso intensivo da tecnologia proporcionada pelas big techs. Saber usar seus recursos passou a ser decisivo, pois, repetimos, seus efeitos entram em nós.
O grande problema que se coloca é o fato extremamente nocivo de, como seres humanos, já sob seus efeitos, perdermos o que é mais precioso na definição de um ser humano: os sentimentos.
Sentimentos nos fazem, diferente dos animais, sermos pessoas. São afetos que experimentamos internamente, que nos comovem, nos alteram na forma de carinho e amor ao próximo e estabelecem os padrões de relacionamentos que mantemos uns com os outros.
Sentimentos fazem parte do que chamamos de emoções. Somo seres emocionais e isso que é uma riqueza importantíssima também é causa de grandes conflitos íntimos com os outros.
Você e eu sabemos que estamos vivendo importantes mudanças como civilização e, com razão, temendo pelo futuro incerto, não só pelas alterações climáticas no planeta, mas pelas ações de homens encarapitados no poder e temidos, não raro por não serem exatamente pessoas equilibradas e responsáveis.
Esse sentimento difuso e silencioso de medo e insegurança que você, um ser humano sensível, está experimentando, é mais comum do que possa imaginar. A razão é singela: o mundo está cada vez mais estranho, esquisito e desumano. Não podemos matar nossos sentimentos, pois são eles que nos definem perante a vida. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)
