IBIÚNA – FALTAS DE CARDIOLOGISTA NO CENTRO DE ESPECIALIDADES COMPLICAM TRATAMENTO A PACIENTES

Uma senhora procurou vitrine online para, em notável aflição, queixar-se de que espera pelo atendimento de uma médica cardiologista do Centro de Especialidades de Ibiúna há oito meses. Há outros casos similares.

A especialista, como é do conhecimento da Secretaria da Saúde, tem faltado com tanta frequência aos plantões que os seus pacientes se sentem desamparados e desorientados, até mesmo em relação às receitas que acabam caducando e perdendo a validade.

Na verdade, a Secretaria da Saúde encaminhou o caso para o Jurídico da Prefeitura para obter orientação da medida a ser tomada em relação à médica. Isto porque a especialista, que é concursada, apresenta atestados médicos de suas ausências.

A paciente afirmou que teve um primeiro atendimento com a médica que prescreveu medicamentos orientando que prestasse atenção em prováveis sintomas que deveriam ser descritos para ela, a fim de fazer alterações ou adaptações.

Sem ser atendida durante meses e necessitando de acompanhamento e controle medicamentoso, a senhora pediu ao Centro de Especialidades que, ao menos, pedisse a outro cardiologista a formulação de uma receita, o que não aconteceu.

Com a persistência da falta da médica ao trabalho, pediu que passasse a ser atendida por outro cardiologista.

Mas, não se sabe exatamente por que, recebeu uma receita assinada por um médico de outra especialidade, que desconhece o caso específico da paciente.

Considerando que se tratava de médico cardiologista, e seguindo orientação do Centro de Especialidades, protocolou na Prefeitura um pedido de atendimento pelo médico que assinara a receita, considerando tratar-se de um cardiologista.

Em vez disso, recebeu uma carta do Centro de Especialidade através da qual foi informada que deveria procurar um clínico geral no Posto Central para que este fizesse seu encaminhamento para um cardiologista do Centro de Especialidades, tendo que iniciar do zero para receber atendimento de um outro cardiologista.

É oportuno lembrar que a cardiologista fez o atendimento e receitou três medicamentos no dia 11 de fevereiro de 2026. Ela somente conseguiu outra receita, assinada por um outro especialista, no dia 1 de setembro de 2026. Ou seja: seis meses depois.

Nesse período, sem ser atendida pela médica e não ter autorização para ser acolhida por outro cardiologista, interrompeu por conta própria o uso de um dos medicamentos por sentir reações adversas e estranhas.

O Centro de Especialidades tem procurado resolver o problema. Chegou até mesmo a pedir “perdão” pelas faltas da médica aos seus plantões, que são a causa do transtorno que vem afligindo a senhora e outros pacientes.

Internamente enviou ofício à coordenadora da Secretaria da Saúde concluindo que o pedido da paciente por outro cardiologista somente poderá ser atendido se ela passar por consulta em um médico clínico no Posto Central, que poderá encaminhá-la para essa especialidade no Centro de Especialidades.

Diante da situação caótica, a senhora, que trabalha como diarista, demonstrou estar sem saber o que fazer.

Enquanto isso, e não se trata de apenas um caso pontual, a senhora continua aflita e sofrendo danos por um atendimento inadequado.

Com a palavra, a Secretaria da Saúde, responsável pelo funcionamento de todas as unidades no município.

PÉRIPLO E ANGÚSTIAS

Além desse caso gritante na área da cardiologia, no Centro de Especialidades Médicas de Ibiúna, os pacientes em sua maioria vem dos bairros e são pessoas simples e idosas, têm vivido um périplo para marcar consulta, que pode levar meses.

Vale lembrar que o prefeito anunciou contratação de serviços médicos particulares em caso de saturação de demanda, mas não se veem ações práticas que compensem, por exemplo, a situação dramática do Centro de Especialidades.

Este ano, pelo menos deste outubro, não tem mais agenda, que deverá ser aberta somente a partir de 2027. Trata-se de um problema crônico que gera uma situação de espera angustiante.

Ainda que a Secretaria da Saúde possa estar ensaiando abrir um concurso para contratação de novos especialistas, a realidade objetiva continua precária, porque o número de pacientes aumenta e o número de especialistas continua inelástico.

Ainda que realizem um trabalho importante e indispensável, há sérios relatos de que a Secretaria da Saúde precisa zelar pelo cumprimento efetivo das horas contratadas com os especialistas para os plantões de atendimento, que poderia contribuir para minimizar as filas de espera. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *