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PREFEITO JOÃO MELLO – “ACABOU O TEMPO DE FAZER [AS COISAS] DE QUALQUER JEITO’

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Em entrevista concedida esta semana à vitrine online, João Mello, novo prefeito de Ibiúna [toma posse neste domingo], demonstra uma rara lucidez política, assim como ratifica todos os compromissos assumidos em sua campanha, de modo coerente, responsável e transparente.

Protagonista da notável esperança da população ibiunense, interpreta com clareza e sabedoria o desejo de mudança acalentado há anos pelos munícipes, com uma retidão ética que é o seu jeito de ser e que vem encantando todos aqueles que [como nós] tiveram o privilégio de conhecê-lo pessoalmente.

Com João Mello, a velha e tradicional prática política no município tende a ficar no passado, como páginas viradas de uma história que clama por novas ideias despojadas de vícios morais ultrapassados que, na verdade, contaminam e degradam o País. (C.R.)

O que o povo pode esperar do seu governo?

joao-prefeitoMuita coisa precisa ser feita e eu acredito que precisamos romper o paradigma de ver tudo como negativo, com desdém, a gente vê hoje em dia que as pessoas raciocinam da seguinte forma: ‘é melhor ter isso do que não ter nada’.  Mas, não, a gente tem condições de ter coisas de qualidade, ter um serviço público de qualidade, ter um bom atendimento no hospital, ter estradas e transporte de qualidade, então precisamos romper com o paradigma obsoleto.

A mudança que todos queremos passa pela organização republicana que significa cuidar da coisa pública não uma coisa de ninguém, mas, pelo contrário, como uma coisa de todo mundo. A responsabilidade de cuidar das coisas de todo mundo, minhas, suas, dos vizinhos e das outras pessoas e não de um ente impessoal, que é o povo sem rosto. Quando vou a um restaurante e olho as pessoas, penso que tenho que cuidar de cada uma delas, me identificar com elas, até invento nomes fictícios [quando não conhece quem está no seu campo de visão], a fim de estabelecer relações positivas e é isso o que eu quero fazer na administração. Quando eu digo que vou cuidar das pessoas não é figurativo, não é figura de retórica, é verdadeiro

O que o senhor espera da população?

joao-3O que eu já tenho recebido, na verdade, muita esperança, muito apoio, hoje um apoio ainda difuso, parece que as pessoas não sabem muito bem como me apoiar. ‘A gente vai te apoiar’, elas dizem E qual é o apoio que eu espero; 1. A identificação das falhas para que a gente possa ir corrigindo; 2. A paciência para entender o tempo em que as coisas podem ser feitas, por que a gente está numa crise financeira nacional, não é só aqui em Ibiúna, os municípios uns estão piores do que os outros, mas a crise é geral.

Quando eu digo paciência é isso: é que a gente vai trabalhar com prioridades. Primeiro o mais crítico, o mais urgente, o mais difícil, para ir descendo o degrau para o que é mais tranquilo, mais fácil.

O que é mais crítico, mais urgente?

joao-4Primeiro a saúde, gritantemente a saúde. A gente viu nos últimos dias situações em que pessoas acabaram falecendo, talvez fossem falecer em qualquer outro serviço, mas que talvez pudessem ter tido um pouco mais de dignidade. As famílias, eu percebi, sentiram desamparo vendo os pacientes em coma e não poderem ser alimentados por falta de sonda que vá do nariz para o intestino, uma coisa que não custa caro. Mas, falta organização, planejamento, atenção ao que realmente é necessário. A saúde é fundamental e precisamos ter em foco a saúde descentralizada, levando a saúde à população. Ibiúna hoje é um município muito grande, extenso, a maior parte das pessoas mora na zona rural, então a gente tem que levar os serviços, como dizia Milton Nascimento, aonde o povo está, onde as pessoas estão e não fazer com que as pessoas venham até o centro da cidade.

A imagem que a população tem do governo de Ibiúna é muito negativa, tanto que a população diz assim ‘eu não acredito mais em discursos, não quero mais saber disso eu quero ver realização e não discurso. O que o senhor acha disso?

Eu também estou cansado de discursos, mas tentem se lembrar que as pessoas fazem muito isso no período eleitoral, para poder avaliar se vai votar ou não, mas é para você avaliar se vai confiar na pessoa ou não, se é uma pessoa realizadora ou não, produtiva ou não. Mas, na situação pós-eleitoral, é preciso que deem oportunidade para que as cosias aconteçam. A crítica pela crítica não ajuda ninguém. Isso em qualquer relação pessoal não estou falando da relação do prefeito com a população, mas de uma pessoa com a outra, qualquer tipo de relacionamento que seja com imposição e agressividade, ‘quero ver se faz ou se não faz’, isso não funciona para ninguém. Isso é negativo, já inspira internamente um sentimento ruim. É lógico que você não vai penalizar em hipótese alguma, você tem que ter maturidade, e, graças a Deus, me considero maduro o suficiente para distanciar uma coisa da outra, mas o sentimento que fica não é gostoso, o gosto na boca é amargo.

Quanto à sua equipe de governo, que critérios utilizou para fazer as escolhas?

joao-6A escolha é exclusivamente técnica. Apesar de os secretários serem chamados de agentes políticos, as pessoas podem confundir isso.  Muitos acham que os secretários têm de ser políticos no sentido de fazer política. Não, não. O agente político, secretário, implanta a política pública daquele setor. Então o secretário da Saúde vai implantar a política pública da saúde do município, o secretário da Educação vai implantar a política pública da educação. E o que é política pública de educação? Por exemplo: ‘nós vamos focar mais em creches ou não nesse momento; temos que investir mais no Ensino Fundamental II’, isso é a política pública de um determinado setor. Não é uma coisa que você tira da cabeça e ponto. Então, são técnicos, que têm conhecimento e se destacam em determinadas áreas.

Por que o senhor adotou esse procedimento e não nomeou políticos para o quadro de secretários?

agoraAs pessoas perguntam ‘por que você não pôs um político’, alguém que é presidente de partido, que foi candidato a vereador? Porque muitas vezes a experiência mostra que grande parte dos políticos, e não estou dizendo de todos, que tem pretensão eleitoral, usa o cargo como trampolim político-eleitoral e não vai implantar política pública, vai fazer trabalho para sua carreira política. Então, a intenção é que a gente tenha realmente um viés técnico. Quem vai fazer política vai ser o prefeito, o vice-prefeito, os vereadores. A gente está se afinando com o Legislativo e a maior parte dos vereadores tem se mostrado republicana e acho que esta legislatura vai ser muito boa, temos conversado sobre as dificuldades financeiras, sobre a necessidade de apertar o cinto, as realizações que exigem tempo e as possibilidades orçamentárias.

O senhor tem dito que vai cuidar das pessoas e também que o destino de Ibiúna é crescer e se desenvolver…

joaozinhoNão vejo alternativa para Ibiúna: ‘é crescer e se desenvolver ou crescer e se desenvolver’. A gente vai trazer a felicidade das pessoas e a felicidade das pessoas passa por você conseguir suprir suas necessidades básicas, que é ter educação, que é ter boa saúde, poder trafegar, ter segurança, iluminação pública adequada, coleta de lixo, isso são serviços públicos. Até mesmo para que a pessoa possa ter a dignidade de pensar ‘eu posso comprar uma coisa, eu posso sustentar o meu filho’, de poder fazer ou não porque às vezes as pessoas dizem também o nosso povo é muito simples, que não quer nada. Está bem: ele pode optar que nada queira, levar uma vida dessa forma, agora se ele não tiver uma alternativa e tenha que viver uma vida simples sem acesso ás coisas obrigatoriamente, isso está errado.

A questão do emprego também conta muito como problema, não é?

joao-20Ibiúna é agrícola, não há dúvida alguma, é o que sustenta o município. A agricultura que já chegou num patamar que pode crescer um pouco, mas não muito mais a ponto de gerar tanto emprego tanta riqueza, então o turismo é o caminho. Já estamos indo atrás de algumas empresas, uma delas de porte, se Deus quiser vai dar certo, vai gerar um grande número de empregos diretos e indiretos. Isso traz salário, o salário gera necessidade de transporte, de posto de gasolina, a pessoa vai comprar no mercado, que vai contratar mais gente para repor as mercadorias nas gôndolas, formando, assim, uma cadeia econômica de crescimento e geração de novos empregos.

Que mensagem de Ano-Novo o senhor gostaria de transmitir ao povo de Ibiúna?

joao-7Que as pessoas tenham fé e acreditem que as coisas podem ser diferentes – e serão – e isso depende de cada um de nós. Quem ocupa a cadeira de prefeito tem uma possibilidade de fazer coisas que repercutem mais, mas a mudança que queremos depende de todos, de cada um, como vontade de realizar nossos sonhos.

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