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O SILÊNCIO DOS BUGIOS

Já faz um tempo, talvez um mês e meio, que não ouço mais os uivos como o vento feitos pelos bugios que moram na floresta perto da minha casa no bairro da Cachoeira em Ibiúna. Já me havia habituado ao ruído intenso e que pode ser ouvido a longa distância por bandos deles.

Não sei se foram mortos por pessoas ignorantes ou vítimas da febre amarela. Já gritamos aqui, nas páginas de vitrine online, junto com as autoridades: não matem os macacos, pois eles não provocam a doença; ao contrário são vítimas dos mosquitos, os verdadeiros transmissores da febre amarela.

Na verdade, os macacos sinalizam os caminhos percorridos pela doença sobretudo nas matas, já que a atual endemia é uma ocorrência silvestre e não urbana. A vacinação prossegue e é bom que as pessoas, sobretudo idosas e portadores de baixa imunidade, somente se vacinem depois de passarem por consulta médica. Isto porque a vacina é feita com vírus vivos e, em alguns casos, pode, em vez de proteger, provocar a febre.

Isto posto, é preciso que nós, brasileiros, abramos os olhos para o contexto em que essa doença ocorre, depois que o atual ministro da Saúde declarou, em setembro de 2017, que a febre amarela estava dominada no Brasil.

O ministro faz parte de um governo que se candidata a entrar para a história como o pior dos últimos tempos da República. Michel Temer só tem feito maldade contra o povo brasileiro, em todos os setores: saúde, economia, segurança pública, emprego. É um desastre da pior espécie. Seu índice de rejeição é estratosférico, assim como o cinismo e a desfaçatez como se comporta diante do sofrimento que vem impondo à população brasileira. A caterva que o acompanha em seu governo e no Congresso Nacional também age despudorada e desavergonhadamente, como se o povo fosse apenas objeto de experimentações de toda a espécie de mal que arquitetam entre as paredes do Palácio do Planalto.

A relação entre a ocorrência da febre amarela e a falta de vacinas, razão por que precisaram fracionar as doses, reflete o tipo de governantes que temos.

Temos também de refletir sobre a Justiça brasileira tão desprestigiada quanto. Uma bióloga levantou a possibilidade de a febre amarela ter-se originado em virtude do ocorrido em novembro de 2015 no Rio Doce, quando 55 milhões de m3 de lama tóxica transbordaram da represa da Samarco, em Mariana, provocando dezenove mortes e a maior catástrofe socioambiental da história do Brasil. Segundo a bióloga a intensidade do desequilíbrio foi tamanha, com a morte de sapos e peixes que se alimentam de mosquitos, que por aí teria se iniciado um processo da doença na região do Estado de Minas Gerais e do Espírito Santo. Até hoje esse caso aguarda resoluções da Justiça.

Não temos como comprovar essa tese da bióloga, mas exatamente por isso se consegue imaginar as dimensões e reflexos de um problema que envolve autoridades pífias que se influenciam por lobbies poderosos de mineradoras, construtoras, políticos e empresários criminosos com a vida ambiental e da população, do qual são sintomas tanto o famigerado Mensalão quanto a Lava Jato, dois sinônimos da corrupção que assola o país. (Carlos Rossini)

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