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ATRITOS SOCIAIS REVELAM QUE RESPONSABILIDADE É UMA QUESTÃO PRIORITÁRIA

Antes de apontar o dedo para o outro para lançar uma ofensa, lembre-se: três dedos apontam para você. Já escrevi, na condição de sociólogo, aqui mesmo e em outras mídias, que vivemos numa sociedade doente que, por isso, mesmo acalenta o desejo de transcender seus sintomas buscando ser feliz, de alguma forma.

Nos treinamentos que ministro utilizo um questionário em que essa tendência se manifesta como luz solar. Diante da pergunta “o que você mais deseja na vida”, a resposta infalível é: “ser feliz”. O que é exatamente ser feliz varia abundantemente. Para uns é conseguir uma cura, para outros adquirir um bem, ou conseguir um emprego, quitar uma dívida, arranjar um prato de comida quando tem fome, encontrar e viver a experiência do amor e assim por diante. A lista é interminável.

As injustiças sociais clamorosas, sobretudo com a fartura privilegiada para alguns e a escassez degradante para muitos sugerem uma reflexão sobre a responsabilidade. Afinal, o que é responsabilidade?

Responsabilidade é uma questão plástica e tem existência basicamente no campo da moral, isto é, como as pessoas se relacionam umas com as outras e qual o tom predominante da moralidade pública. Em grande parte a nação brasileira sofre terrivelmente pela falta de moral por parte dos seus governantes e dos atores que dominam a economia.

Mensalão e Lava Jato são dois exemplos que ganharam amplitude publicitária mundial de como a sujidade moral se casa com a irresponsabilidade. Embora seja remotíssima a possibilidade objetiva de ligar as doenças e as mortes de brasileiros por irresponsabilidade das autoridades públicas, só para mencionar um aspecto. Pergunta que não cala: quantos centenas de milhões de reais foram desviados para patrimônios particulares e que não foram utilizados para construir hospitais, adquirir e disponibilizar medicamentos e assistência médica digna para o povo brasileiro?

Em suma, baixando a bola, em sua origem latina a palavra vem de respondere, no inglês, responsability, em francês, responsabilité. Simplificando, em bom português, responsabilidade é a capacidade de responder pelos seus atos perante o outro e a sociedade como um todo. Digamos, trata-se da noção de dever, de obrigação do agir no mundo em sociedade.

A responsabilidade constitui uma gama de questões que envolvem aspectos que inclui o simples dever de respeitar o próximo, ter cuidado com o outro.  É um ato em que as decisões subjetivas do indivíduo deve preceder, pela responsabilidade moral, as garras da lei que entra como reparadora do mal causado ao outro.

Depende, portanto, da consciência de cada indivíduo e de sua relação com o mundo e essa é uma das questões mais urgentes não apenas da sociedade brasileira, mas de todo o mundo.

O desafio se impõe diante de todos em como estabelecer o equilíbrio entre a razão, sentimentos e emoções. E isso é um teste contínuo para todos os indivíduos: desenvolver habilidades para manter-se de boa diante das turbulências diárias da vida.

Se nos primórdios da humanidade a principal moral vigente era garantir a sobrevivência como prioridade absoluta, pois na busca de alimentos os indivíduos podiam facilmente virar alimento de feras extremamente vorazes, hoje os perigos são outros, mas não menos reais. A responsabilidade com o outro, por isso mesmo, se apresenta como pedra de toque da civilização possível. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

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