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ITUPARARANGA VIVA – PARTE III (FINAL) – ‘PROTEÇÃO EFETIVA DA REPRESA É UMA QUESTÃO POLÍTICA’

Na próxima segunda-feira (13), às 15 horas, acontecerá a segunda reunião do Movimento da Sociedade para Proteção da Represa Itupararanga na sede da SOS Itupararanga, localizada na rua Colômia, 323, no centro de Ibiúna [15 3248-3219]. O movimento foi criado no dia 21 de julho último, em uma reunião realizada na sede administrativa do Condomínio Mirim Açu, sendo uma iniciativa do empresário Ciro Croce, engenheiro ambiental.

Nesta que é a terceira parte e final de uma série de três matérias, vitrine online apresenta entrevista com o Prof. Dr. André Cordeiro, biólogo e professor da Universidade Federal de São Carlos – Ufscar, campus Sorocaba e coordenador da Câmara de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos do Comitê de Bacias do Rio Sorocaba e Médio Tietê. Ele acompanha a qualidade das águas da represa há dez anos. Leia seu depoimento tomado logo após o encerramento da reunião no Condomínio Mirim Açu. [veja outras notícias sobre o assunto na vitrine online clicando em pesquisa e citando Itupararanga]

SITUAÇÃO PIORA

Vitrine online – Qual é a situação atual da Itupararanga e as medidas que o senhor sugeriu em sua exposição?

Dr. André – Como tinha falado para você em outra oportunidade, a qualidade do reservatório está diminuindo ano a ano. Neste período verificamos um problema adicional, que é a redução do volume do reservatório. Estamos passando por um período de seca desde o começo do ano e a operação [uso das águas para produção de energia elétrica] do reservatório baixou demais a cota.

Então, essa diminuição da quantidade de água acaba aumentando o efeito do esgoto que entra, daí termos uma piora ainda maior da qualidade da água.

Vitrine online – Qual a cota neste momento [em julho último]?

Dr. André – Em torno de um 40% e o normal seria nesse período de seca 60%. Ela chega próximo de 100% no período das chuvas e depois vai diminuindo na seca, como as próximas chuvas voltam por volta de outubro, vamos passar um período meio complicado nesses meses de agosto e setembro. Porque a cota já está muito baixa e provavelmente não haverá as chuva suficiente para enchê-la nesse período. Quando diminui muito a quantidade de água na represa mais piora a qualidade da água.

Vitrine online – O que deveria ser feito neste momento?

Dr. André – Uma das coisas é conversar com a Votorantim Energia que é a operadora da barragem para ela reduzir o máximo possível a vazão que ela turbina. Ela tem que manter uma vazão mínima para o rio Sorocaba, senão começa a ter problema na região de Sorocaba com mortandade de peixe por redução de vazão e tem uma parte que vai para abastecer Sorocaba que também tem que manter.

Mas tirando isso, não poderia nenhum tipo outro de vazão para tentar segurar, vai baixar ainda um pouco mas pelo menos não chega numa situação mais crítica que dificulte ele encher novamente no ano que vem.

Esse é um dos fatores. O outro é a questão do esgoto que ainda entra no reservatório principalmente pelos municípios da cabeceira, Cotia e Vargem Grande Paulista. Vargem Grande construiu uma estação de tratamento de esgoto mas falta rede para levar o esgoto até lá. Então, é preciso pressionar a Sabesp que é responsável por esses dois municípios para que adiante seu processo de tratamento para reduzir a entrada de esgoto no reservatório.

Vitrine online – O que mais se poderia fazer tecnicamente para aliviar a descarga na represa?

Dr. André – A região de Ibiúna que é uma planície aluvial onde o rio chega e às vezes enche no período de chuvas.  Assim sendo, poderia haver um trabalhado para reduzir um pouquinho o impacto sobre a represa. Uma das formas é diminuir o volume do rio, como se fosse uma barragem, mas não precisa ser uma barreira, basta diminuir a altura do rio para ela poder espalhar melhor na região é no varjão, bem na entrada de Ibiúna. Aquela planície toda.

As águas se espalhariam por aquela planície toda grande ali, próxima à Estação de Tratamento de Esgoto e, assim, boa parte do esgoto que chegaria não iria para a represa. A matéria orgânica ficaria ali e seria processada por aquelas plantas aquáticas que existem lá e provavelmente atrairia vários tipos de aves diferentes usado até como ambiente turístico para as pessoas observarem diferentes tipos de aves diferentes e você reduziria a quantidade de matéria orgânica que iria para a represa. E uma forma de você tratar a água do rio (rios) sem precisar colocar uma estrutura de tratamento.

Vitrine online – Se fosse instado a estabelecer prioridades de atenção para a represa, quais seriam?

Dr. André – Os principais são a questão da vazão que tem que ser negociada com a Votorantim Energia para assegurar um volume necessário de água (cota) do reservatório e a redução do impacto pontual de esgoto no reservatórios. Esse atualmente são os problemas principais.

O município de Ibiúna tem a capacidade de controlar um pouco porque o uso e ocupação do solo são responsabilidades do município. Então ele pode controlar a ocupação na área não depende de ninguém, só dele mesmo. No caso do esgoto depende da Sabesp, do Estado, e no caso da cota depende da Votorantim Energia. A única coisa que Ibiúna consegue fazer sem precisar de ninguém é controlar a ocupação do território que também afeta a qualidade da água.

Acho importante que as pessoas que têm propriedade na beira da represa, esses condomínios comecem a se preocupar porque, além dos problemas ambientais e de saúde pública, e o problema para abastecimento de água para Sorocaba e Votorantim.  O problema afeta eles diretamente porque eles tem propriedades aqui que só tem uma valorização em função do reservatório, porque o reservatório é atração turística se o reservatório se tornar inviável para lazer por exemplo eles vão ter um grande prejuízo.

Vitrine online – Trata-se de uma situação complexa do ponto de vista técnico ou a solução estaria no plano de medidas de natureza política?

Dr. André – Esse problema já ocorreu em outros reservatórios do estado já aconteceu com danos irreversíveis. As propriedades e condomínios se estabelecem quando o reservatório está bonito, aí ele vai diminuindo a qualidade e chega uma hora em que ninguém quer comprar propriedades em reservatório poluído. Então, isso pode levar um prejuízo futuro então está na hora de se mexer como está acontecendo e usar as ferramentas que já existem como o Comitê de Bacias e o Conselho Gestor da APA o poder político que eles têm também como comunidade para pressionar o poder público para fazer a parte dele, pressionar a Sabesp para fazer a parte dela. Na verdade não se trata de uma questão técnica, porque a técnica já avaliou e descobriu o que está acontecendo, mas para resolver é uma questão política. Tem que discutir por exemplo qual é o limite de crescimento de uma cidade que é coisa que as vezes os prefeito não gosta de falar nem os vereadores, mas uma cidade tem que ter um limite, ela não pode crescer de forma indefinida para sempre.

Vitrine online – Então a questão é mais ampla do que parece…

Dr. André – Qual é a prioridade que uma cidade vai dar? Ela quer uma cidade industrializada ou ela quer uma cidade que tenha qualidade de vida, lazer o turismo? Ela precisa saber o que quer e planejar o que vai afetar seu futuro. Não sou eu que não moro em Ibiúna que tem que decidir isso. Quem tem que decidir isso é a população de Ibiúna. A população de Ibiúna tem que sentar e decidir o que quer: quer ser uma periferia de São Paulo, uma cidade dormitório, como já é Cotia e parte de Vargem Grande Paulista ou quer ter  a identidade como cidade turística que atraia mais recursos e outros tipos de trabalho. Eu sou observador quem tem que decidir isso é a cidade de Ibiúna. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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