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QUE PAÍS É ESTE QUE FERE E MATA EM NOME DE UMA LOUCA AVENTURA ELEITORAL?

A tradução literal de aventura, do latim ad venture, significa o que vem pela frente. E é esta uma pergunta oportuna nas vésperas da realização do segundo turno da eleição presidencial: que futuro aguarda o Brasil, depois que o resultado das eleições for oficialmente anunciado?

O dilema ‘ou este ou aquele’ se apresenta como um dos maiores de nossa história, fora o tempo da ditadura militar, quando existiam apenas Arena (governista) e MDB (oposição).

As massas populares, entre as quais se observam manifestações fanáticas e agressivas, se veem divididas numa encruzilhada cujos destinos são constrangedoramente desconhecidos, como se os olhos das pessoas estivessem sofrendo de uma catarata beirando a cegueira.

As duas opções estão contaminadas pelo medo generalizado da população cuja insegurança faz o pano de fundo de uma palmar insanidade. Sim, grande parte da nação se movimenta como sobre areia movediça. Os venenos lançados inescrupulosamente nas redes sociais instituíram a maior trama de falsidades já vista na história do Brasil desde Cabral. Nos tornamos um país de mentirosos desavergonhados e irresponsáveis.

Tudo soa falso e não se sabe em que ou em quem acreditar e está posto em dúvida e desconfiança. Estamos todos perdendo pela imoralidade que grassa em todas as direções do imenso território nacional.

Isto é herança de um longo período de ditadura militar e de uma sequência de governos corruptos que perderam o respeito pelo povo e sangraram a economia brasileira até deixá-la em grave anemia e enfraqueceram a fé e a esperança, dois atributos imprescindíveis para que uma pátria seja digna desse nome. E, lamentavelmente, nesta altura dos acontecimentos pouco ou nada se pode fazer, senão nos tornamos todos vítimas de nossas próprias fraquezas e mesmo ausência de memória.

QUE PAÍS É ESTE?

Em 1976, em plena ditadura militar, um político natural do Piauí, mas que construiu sua carreira política em Minas Gerais – vereador, deputado, senador e governador, lançou uma frase que se popularizou: “Que país é este?”. Seu autor era Francelino Pereira, então presidente da Arena.

Na ocasião, Francelino tinha um propósito conjuntural. Ele agia em defesa do então general Ernesto Geisel, que havia anunciado a intenção de iniciar o processo de abertura política e a devolução do governo à sociedade civil.

Mas, a oposição passou a duvidar da promessa Geisel. Então, Francelino bradou: “Que país é este em que o povo não acredita no calendário eleitoral estabelecido pelo próprio presidente?” Era esse o contexto da frase.

Dois anos depois, o compositor e cantor Renato Russo comporia a letra “Que país é este?”, que seria gravado pela banda Legião Urbana em 1987, quando o regime militar já havia caído e o presidente era o maranhense José Sarney. Daí para frente deu no que deu, ou seja, num precipício político sem fim.

Antes de Francelino, a mesma questão havia sido levantada por José de Alencar e Machado de Assis, dois famosos escritores brasileiros. Mereceu também, para não deixarmos passar em branco, versos do escritor e poeta mineiro Affonso Romano Sant’anna.

Agora, nestes dias primaveris de outubro, a pergunta se lança no ar como ejetada por vulcão em intensa atividade: “Que país é este, brasileiros?” – (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

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