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DEZEMBRO CHEGOU!

Como seres humanos, precisamos disso…do Natal, da virada do ano, da renovação das esperanças, porque ninguém é de ferro! Mesmo que tudo esteja muito chato, necessitamos sacudir a poeira e dar a volta por cima, virar a página, mesmo que seja apenas por um momento em que trocamos a dura realidade por sonhos e fantasias.

Os sonhos fazem parte da existência, porque sem eles, não conseguiríamos ultrapassar as dificuldades do dia a dia e nem conseguiríamos enxergar o amanhã como possibilidade para prosseguir nossa jornada – ainda que não saibamos para aonde vamos indo.

Para todos, como escreveu Simone de Beauvoir, e estamos falando da passagem do tempo, ele “acarreta desgaste e enfraquecimento; esta convicção se manifesta nos mitos e nos ritos de regeneração que representam um papel tão importante em todas as sociedades de repetição”. E prossegue:

“Muitas mitologias [narrativas sobre a existência] supõem que, se a natureza e a raça humana têm força de viver e de se perpetuar, é porque num certo momento da juventude lhes foi devolvida: o mundo antigo foi aniquilado e surgiu o atual [o novo].”

Os rituais, como o que lembra o nascimento do filho de Deus, e ultrapassagem para o ano-novo, têm como objetivo “apagar o passado [seja ele como tenha sido] e, então, pode-se “recomeçar uma existência livre do peso dos anos”.

Não é isso que representa o canto “Adeus ano velho, Feliz ano Novo, que tudo se realize no ano que vai nascer?” De um modo ou de outro, ansiamos por dias melhores, apesar de todos os perigos naturais e aqueles que são manufaturados pelos homens e que causam tantas iniquidades.

A névoa do clima festivo não nos impede, no entanto, de conviver com sentimentos de dor pelas perdas que nos acomete e abrem buracos impreenchíveis em nossas almas. No entanto, viver é preciso e seguir adiante.

Beauvoir (1908-1986) escreveu um dos mais importantes ensaios sobre as condições de vida dos idosos, percorrida desde o momento em que nascem até o ocaso.

Sua obra gigantesca passa em revista a história da Humanidade e, a certa altura, nos proporciona uma luz para esses tempos difíceis e, mesmo assim festivos:

“Para que a velhice não seja uma irrisória paródia de nossa existência anterior, só há uma solução – é continuar a perseguir fins que deem um sentido à nossa vida: dedicação a indivíduos, a coletividades, a causas, trabalho social ou político, intelectual, criador.

Contrariamente ao que aconselham os moralistas, é preciso desejar conservar na última idade paixões fortes o bastante para evitar que façamos um retorno sobre nós mesmos. A vida conserva um valor enquanto atribuímos valor à vida dos outros, através do amor, da amizade, da indignação, da compaixão. Permanecem, então, razões para agir ou para falar.”

Não é à toa, portanto, que a figura daquele que traz os presentes, Papai Noel, é sempre um velhinho alegre, bondoso e de barbas brancas!

Em suma, é preciso reconhecer que cada pessoa, de criancinhas a idosos, vê as festas com olhares diferentes, exatamente por viverem em tempos diferentes, com seus modos singulares de perceberem, entre sonhos e a realidade.  (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

 

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