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O INCRÍVEL JOEY

Ele tem uma pelagem abricó, é fofo e anda o tempo todo em círculo. Mas, não pense que ele permanece no mesmo lugar. Não! Você o deixa aqui e ele segue. Quando se dá conta, está longe. É preciso ir buscá-lo, pegá-lo no colo e trazê-lo de volta. Se houver obstáculos no caminho a colisão é certa. Nesse momento, ele experimenta ir em outra direção, às vezes, dependendo do espaço, não consegue sair do lugar, como um cantinho entre um móvel e a parede, por exemplo.

Joey tem 19 anos, é um poodle. Se considerarmos os dados do Kennel Clube do Reino Unido e do Veterinary Medical Database dos Estados Unidos, que comparam a idade canina com a humana, nosso pequeno herói teria muito mais de 100 anos. Para cães de pequeno porte, como é nosso caso, multiplica-se a idade dele por 12.9. Cães desse porte vivem até 20 anos. O pequeno Joey tem sorte: sua dona é nutricionista e prepara seus alimentos com esmero e conhecimento científico.

Esta semana pude conviver dois dias com Joey. Muitas vezes ele chocou-se com meu tornozelo, vi-o rodando pela casa, ora batendo aqui, ora ali. Mas ele anda macio, prudente, calmo como um filósofo que aprendeu a arte de bem viver, como Epicuro.

Mas o Joey é verdadeiramente incrível! É um velhinho cego, surdo, cardíaco, tem alzheimer canino, triglicérides alta, usa fraldas e toma 19 remédios todos os dias rigorosamente, muitos dos quais têm de ser partidos pacientemente para que seja administrada a dosagem correta.

Suspeito, no entanto, que o grande segredo da longevidade do Joey se deve ao amor e cuidados contínuos que recebe por parte da família que o tem desde pequenino em seu apartamento em Santos.

Todos cuidam dele com respeito e atenção e sabem interpretar seu único sinal de que precisa atenção imediata: dá um latido forte para a idade, mas no resto do tempo é a criatura mais silenciosa que já vi. Parece invisível andando por toda a parte da casa. Além dos cuidados fundamentais, Joey, com todas as suas limitações, não dá nenhum trabalho, não se queixa de nada, apenas vive do seu jeito, com uma paciência infinita.

Fico imaginando essa situação para os seres humanos e acredito que uma pessoa idosa precisa da mesma atenção que é dada ao Joey, que jamais é deixado à própria sorte. Amor, carinho, compreensão e dedicação autêntica são o melhores presentes que se pode dar a esses animaizinhos encantadores e aos seres humanos que, como Joey, foram um dia bebês, cresceram, cumpriram um ciclo comandado pela natureza biológica específica de cada um dos seres vivos.

Acho, sinceramente, que se pudesse falar e eu compreendê-lo, teria muito a aprender com Joey na fantástica arte de viver. (Carlos Rossini é jornalista e editor de vitrine online)

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